Alguns deputados federais do PL, partido de Jair Bolsonaro, deixaram na madrugada deste sábado o acampamento montado na Praça dos Três Poderes após ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Os parlamentares bolsonaristas, incluindo os deputados Hélio Lopes (PL-RJ) e Coronel Chrisóstomo (PL-RO), protestavam contra decisões do STF contráris ao ex-presidente e pediam o impeachment de Moraes.
O magistrado atendeu a um pedido da Procuradoria Geral da República e ordenou que a Polícia Federal intimasse o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) para remover os deputados do local, que fica em frente ao prédio do STF. O próprio governador foi ao local pessoalmente negociar a saída pacífica dos parlamentares e disse que acionaria a polícia local caso a ordem encontrasse resistência. “Vamos tentar tirar pacificamente. Se não saírem, serão presos”, disse ao Estadão.
Para reforçar a proteção ao local, o acesso para veículos à Praça dos Três Poderes foi interditado pela Polícia Militar. Na Praça estão os prédios do Congresso, do STF e o Palácio do Planalto.
Mais cedo o secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Sandro Avelar, mencionou o risco de um novo 8 de Janeiro. Segundo Avelar, a ideia era que os manifestantes seguissem para a Praça das Bandeiras, na Esplanada dos Ministérios. Já o entorno do STF deveria ser isolado por gradis ainda na noite da sexta, segundo o plano.
“Aconteceu aqui, a gente não pode deixar acontecer aqui de novo. Ninguém aqui quer. Infelizmente, não tem cabimento (uma manifestação aqui)”, disse Avelar aos manifestantes.
A negociação foi feita com o desembargador aposentado Sebastião Coelho, conhecido por ser crítico do STF. Com uma esparadrapo na boca, Hélio Lopes tentou dialogar, mas precisou ser intermediado por Coelho. “Hélio não sai não. Só sai na força. Está determinado”, disse Sebastião Coelho.
Na conversa, Avelar alegou que as coisas poderiam sair do controle, já que outros deputados planejam ir a Brasília neste fim de semana para fazer coro à manifestação iniciada por Lopes. Os deputados acabaram não aceitando a sugestão do secretário.
Lopes montou uma barraca na Praça dos Três Poderes em protesto contra as medidas judiciais impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Lopes ainda colocou um esparadrapo na boca sustentando que a liberdade de expressão está ameaçada no País.
O deputado publicou nas redes sociais uma carta aberta em que diz que o Brasil “não é mais uma democracia”. “Não estou aqui para provocar. Estou aqui para demonstrar a minha indignação com essas covardias. Não estou incentivando ninguém a fazer o mesmo”, disse.
Questionado pela reportagem por que ele resolveu se acampar, ele se manteve calado. Diante de novas perguntas, o deputado reagiu gesticulando negativamente, manifestando o desejo de permanecer sem falar, com a mordaça na boca, enquanto lia o capítulo de Provérbios, do Velho Testamento da Bíblia.
A manifestação chamou a atenção de poucos transeuntes, em sua maioria bolsonaristas. O primeiro político a chegar foi o deputado federal Coronel Chrisóstomo (PL-RO), que um abraço no deputado e disse que irá acampar ao lado de Lopes.
O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), disse que iria a Brasília e ficaria ao lado dos deputados para “garantir que os direitos dos parlamentares sejam respeitados”. Mais tarde, ele ironizou a decisão de Moraes nas redes sociais dizendo que não estava na capital federal.
Avelar apresentou um vídeo publicado pelo deputado Zé Trovão (PL-SC) nas redes sociais que irá embarcar para Brasília na madrugada do domingo para justificar a decisão. “Domingo estarei chegando em Brasília e só saio da frente do STF quando Alexandre de Moraes for impeachmado (sic), quando o Brasil voltar a sua normalidade”, disse Trovão, no vídeo.
“Isolar a praça passa uma imagem muito ruim”, disse Coelho. Imagem pior vai ser chegar pessoas que não têm a atitude que vocês tem, podem chegar pessoas infiltradas, e a gente não quer isso. A gente não pode permitir que isso aconteça sob pena de eu ser preso”, respondeu Avelar.
O secretário de Segurança Pública disse que na Esplanada, os deputados poderiam reunir mais manifestantes.
Coelho negocia com Avelar pedindo um desvio do trânsito. Para ele, os manifestantes precisam estar na rua, já que ficar apenas no gramado da região seria insuficiente.

