PRÁTICA É CRIME
Uma nova resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) passou a proibir o uso de anestesia geral, sedação profunda e bloqueios anestésicos para a realização de tatuagens com fins estéticos. A decisão tem como objetivo proteger a saúde e a segurança dos pacientes, diante do aumento de complicações em procedimentos realizados fora de contextos médicos.
Segundo o conselheiro do CFM e relator da resolução, Diogo Sampaio, o uso de anestesia para tatuagem cresceu nos últimos anos, incluindo casos de uso de anestesia geral.
(. “Nós acompanhamos ao longo do tempo o aumento do número do uso desses tipos de anestesia, que são atos médicos, para viabilizar tatuagens, inclusive já teve óbito com o uso dessas técnicas para tatuagem”, explicou Sampaio em entrevista à rádio Jangadeiro BandNews FM 101.7.
Ele lembra que o próprio Código de Ética Médica já vedava o uso de atos médicos desnecessários, como prevê o artigo 14. A resolução, segundo o conselheiro, apenas reforça essa diretriz: “o médico não pode usar a ciência anestesiológica para procedimentos que não apresentam benefício médico claro. Anestesia não é inofensiva e envolve riscos, mesmo que pequenos”, explicou.
# Um caso que chamou atenção recentemente foi a morte do influenciador Ricardo Godói, de 46 anos, durante uma sessão de tatuagem em Santa Catarina. Apesar de exames prévios não apontarem riscos, o procedimento resultou em uma parada cardiorrespiratória e segue sob investigação.
A resolução abre exceção apenas para casos com indicação médica, como em procedimentos reparadores. Um exemplo comum, segundo Sampaio, é o de pacientes que passaram por mastectomia após câncer de mama e desejam reconstruir a aréola por meio de tatuagem, dentro de um ambiente cirúrgico.
Sampaio também esclareceu que pomadas anestésicas de uso tópico não estão proibidas pela nova norma. O conselheiro alertou ainda para os casos em que pessoas sem formação médica realizam procedimentos anestésicos, o que configura crime.

