O cenário da tecnologia no Brasil se divide em antes e depois da primeira grande operação da Polícia Federal contra crimes cibernéticos. No centro dessa história está Daniel Lofrano do Nascimento, personalidade que ficou conhecida nacionalmente como o “O Rei da Internet”.
Em entrevista exclusiva ao BacciNoticias, o especialista reflete sobre a transição do romantismo das invasões dos anos 2000 para a atual era do medo e exposição constante. Para ele, o crescimento da rede trouxe, proporcionalmente, um aumento no perigo, criando um cenário de adaptação entre sistemas de defesa e agentes invasores.
“A internet cresceu e conforme ela cresceu as possibilidades cresceram juntas. Sempre foi a mesma coisa hacker, o sistema evolui, mas, os hackers também evoluem. Jogo de gato e rato. Eu considero que a internet crescer, mas, os hackers também cresceram e se adaptaram”, comentou Daniel.
A ilusão da proteção estatal e corporativa
Um dos pontos mais sensíveis abordados por Daniel diz respeito à falsa sensação de segurança mantida por instituições públicas e privadas. Segundo o entrevistado, o Brasil apresenta uma vulnerabilidade extrema. Ele revela que a fragilidade atinge as mais altas esferas do poder, mencionando que episódios de invasão afetaram não apenas ministros, mas uma parcela significativa do Congresso Nacional, incluindo deputados e senadores.
“A gente vive uma ilusão de segurança, não vamos esquecer que o ex-ministro Sergio Moro foi hackeado, e, conto mais uma coisa aqui que poucas pessoas sabem, nunca vi ser noticiado. Não foi só ele que foi invadido, metade do Congresso, a Direita brasileira foi invadida, vários deputados, alguns senadores, políticos locais, foram todos invadidos. E a técnica utilizada não é o que a mídia fala. Então, a segurança no Brasil é uma ilusão, as empresas estão um pouco preparadas porque investem alguma coisa, mas o Governo, esse está vulnerável”, comentou Daniel sobre a segurança cibernética.
Na visão do especialista, enquanto as empresas privadas iniciaram investimentos para tentar blindar seus dados, o setor governamental permanece exposto.
Entre o crime técnico e o estelionato digital
Daniel faz uma distinção clara entre o hacker propriamente dito e o estelionatário que domina as redes atualmente. Ele aponta que muitos crimes atribuídos a invasões de sistemas são, na verdade, frutos de erros humanos e fraudes simples, como o uso indevido de equipamentos de trabalho em regime de home office.
“Não dá para confundir estelionatário com hacker. O grande problema é que tem muito estelionatário que tem um sisteminha que puxa o nome, ou alguma coisinha do tipo, e, sai dizendo que é invasão. Ou o cara pega o computador de trabalho, o que acontece muito em home office e acessa o sistema da empresa dele para fazer alguma coisa, alguma fraude, e, não é por aí. É muito estelionatário que estão utilizando essas artimanhas”, disse Daniel.
Sobre as fakes news
A combinação entre habilidades técnicas e a disseminação de informações falsas é classificada por ele como uma das armas mais perigosas da atualidade. De acordo com Daniel, as notícias falsas que obtêm êxito são geralmente operadas por indivíduos que detêm conhecimento técnico para burlar regras de plataformas de mensagens, como o WhatsApp, permitindo disparos em massa que confundem a opinião pública.

“Apresentei um projeto para o Senado em 2018, antes de começar essa onde fake news. O perigoso é quando ajunta o hacker com a fake news, para fazer disparo de whatsapp, sms, e-mail, daí é complicado”, diz Daniel sobre as fakes news.
Do submundo digital aos cinemas
A trajetória de Daniel deixou de ser um assunto restrito a fóruns de tecnologia para se tornar uma obra cinematográfica. Ele relata que a percepção de sua fama mudou ao ser convidado para programas de entrevistas na televisão, consolidando sua imagem pública. Atualmente, essa história ganha as telas de cinema, trazendo uma mistura de euforia e receio pela exposição.
“Esse negócio do filme não sei explicar a sensação, acho que fica um legado. Um legado do que eu construí, e, com a ajuda do João Guilherme, do Fabrício Brittar, o negócio se tornou muito grande. A ideia veio lá do livro, é uma sensação diferente, as vezes da uma certa euforia, as vezes da um pouco medo por conta da exposição ser maior”, comenta Daniel sobre a expectativa do filme ‘O Rei da Internet’, estrelado por João Guilherme que será lançado nos cinemas em abril.
O entrevistado enxerga o filme sobre sua vida como a consolidação de um legado. Ele destaca que, independentemente das críticas ou do medo que sua figura possa despertar, sua história está marcada como a de um dos pioneiros da internet no Brasil.
“No meu caso, como venho do hacking, as pessoas além de ter medo elas criticam bastante. Então, procuro não ler, não ver, as críticas agora com filme eu quero ver como vai ficar. Estou feliz com o projeto, pois, fica um legado, daqui 100, 200 anos, meu nome vai ser dito com um dos pioneiros da internet, a primeira operação contra hackers no Brasil, foi a minha operação. Então, foi um dos pioneiros nisso e sirvo de exemplo.”, finaliza Daniel.
