O juiz responsável pela custódia de Adélio Bispo de Oliveira negou irregularidades na execução da medida de segurança aplicada ao autor do atentado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A manifestação ocorre após a defesa de Adélio alegar que o cálculo da medida estaria sendo feito de forma incorreta, o que poderia prolongar sua permanência no sistema penitenciário federal por até 20 anos.
Sistema limita registro da medida
Após questionamentos à Corregedoria, o magistrado afirmou que não há erro na execução e atribuiu as inconsistências a limitações técnicas do sistema judicial.
Segundo ele, foi registrada a decisão que fixa a custódia até 2038. No entanto, o sistema permite apenas o lançamento de prazos de até 24 meses, o que gera divergências no registro.
Apesar disso, o juiz destacou que realiza os cálculos de forma paralela, fora do sistema, para evitar prejuízos ao detento.
Situação permanece inalterada
Mesmo com a discussão, a situação de Adélio não muda. Ele segue detido na Penitenciária Federal de Campo Grande (MS), onde está desde 2018.
O autor do ataque ocupa uma cela de cerca de seis metros quadrados, em regime de segurança máxima.
Saúde mental e laudo pericial
Um laudo recente apontou piora no estado de saúde mental de Adélio, com diagnóstico de esquizofrenia paranoide.
Segundo os peritos, ele apresenta quadro crônico, com delírios persistentes, alucinações frequentes e comprometimento significativo da percepção da realidade.
“A análise clínica demonstra um transtorno mental crônico, com sintomas persistentes e ausência de insight”, aponta trecho do documento.
Os especialistas também indicam recusa ao tratamento e dificuldade de convivência social, além de episódios de instabilidade emocional ao longo dos anos.
Recomendação de tratamento fora do presídio
O laudo sugere que a permanência no sistema penitenciário federal pode agravar o quadro clínico. Por isso, os peritos recomendam a transferência para um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) em Montes Claros (MG), cidade natal de Adélio.
De acordo com a avaliação, o ambiente prisional, com vigilância constante e isolamento, contribui para a manutenção e agravamento dos sintomas.
No entanto, segundo a magistrada, essa atualização não teria sido devidamente inserida no sistema, o que motivou novos questionamentos da defesa.
Periculosidade e acompanhamento
Apesar da ausência de episódios recentes de agressividade, os peritos apontam que Adélio ainda apresenta “risco contínuo” e não pode conviver sem medidas de segurança.
O laudo destaca delírios de natureza religiosa, política e persecutória, além de isolamento social e baixa integração institucional.

