Após uma série de casos de mortes súbitas em academias e espaços de prática esportiva registrados nos últimos dois anos, entidades do Ceará ligadas à saúde, ao esporte e ao direito divulgaram uma nota técnica com recomendações para aumentar a segurança nesses locais. O principal ponto é a instalação obrigatória de desfibriladores — equipamentos usados em emergências cardíacas — em academias, boxes de crossfit, estúdios de pilates e estabelecimentos semelhantes em Fortaleza, independentemente do tamanho ou da quantidade de alunos.
O tema ganhou força após registros recentes na Região Metropolitana de Fortaleza. Desde julho de 2025, pelo menos seis casos de morte súbita foram noticiados nesses ambientes. Um dos episódios mais recentes ocorreu em abril de 2026, quando um professor morreu durante atividade física em uma academia da Capital.
Atualmente, a legislação municipal já prevê o uso do Desfibrilador Externo Automático (DEA), mas apenas em locais com grande circulação diária de pessoas. As entidades defendem que essa exigência seja ampliada para todos os espaços de atividade física, argumentando que o risco de eventos cardíacos existe mesmo em ambientes menores.
Além da presença do equipamento, o documento recomenda uma série de medidas para garantir resposta rápida em situações de emergência. Entre elas estão a sinalização adequada do desfibrilador, manutenção periódica do aparelho e treinamento obrigatório de funcionários — como professores, recepcionistas e seguranças — em técnicas de primeiros socorros e reanimação cardiopulmonar.
A orientação também inclui atualização frequente desses treinamentos, com o objetivo de garantir que todos os profissionais saibam identificar uma parada cardíaca e agir rapidamente até a chegada do socorro especializado.
Segundo especialistas, o tempo de resposta é decisivo nesses casos. A cada minuto sem atendimento, as chances de sobrevivência diminuem significativamente. O uso do desfibrilador, aliado à reanimação, pode aumentar de forma considerável as chances de recuperação.
Outro ponto levantado pelas entidades é a necessidade de revisão das normas atuais. Apesar de existirem regras que tratam da capacitação em primeiros socorros, o uso do desfibrilador ainda não é obrigatório em todos os casos, o que abre margem para lacunas na segurança dos frequentadores.
Na Câmara Municipal de Fortaleza, propostas apresentadas recentemente tratam da obrigatoriedade tanto do equipamento quanto do treinamento das equipes, mas ainda não há previsão para votação.
Enquanto isso, a recomendação é que frequentadores também fiquem atentos às condições oferecidas pelos estabelecimentos, priorizando locais que tenham estrutura adequada para lidar com situações de emergência.

