Mais detalhes sobre a realização do filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foram divulgadas nesta sexta-feira, 15. Dois dias após a divulgação de conversas entre o senadorFlávio Bolsonaro (PL-RJ) e banqueiroDaniel Vorcaro, dono do Banco Master, novas informações apontam que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) também estaria envolvido no projeto como produtor executivo, além de ter responsabilidades na gestão financeira do longa.
De acordo com novas informações veiculadas pelo Intercept Brasil, o contrato de produção que seria de novembro de 2023 e assinado por Eduardo em janeiro de 2024, mostra a empresa Go Up Entertainment, sediada nos Estados Unidos, como produtora, e Eduardo e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) como integrantes da produção executiva. Além disso, o ex-parlamentar teria responsabilidades nas decisões relacionadas à captação dos recursos e como seriam gastos.
Troca de mensagens entre o empresário Thiago Miranda, fundador do Portal Leo Dias, e Daniel Vorcaro mostram que Eduardo teria atuado na parte financeira do projeto. Em uma das mensagens obtidas pelo Intercept, que seria de março de 2025, o ex-deputado comenta com Miranda sobre os recursos.
As novas informações vão de encontro com o que Eduardo Bolsonaro afirmou pelas redes sociais nessa quinta. O ex-parlamentar disse que apenas teria cedido os direitos de imagem e não exerceu qualquer posição de gestão ou emprego no fundo.
“No meu processo migratório expliquei as autoridades americanas toda a origem dos meus recursos e não tive qualquer problema, porque aqui não vigora um regime de exceção. Não exerci qualquer posição de gestão ou emprego no fundo, apenas cedi meus direitos de imagem […] Nós não somos donos do filme, mas sim os mais de uma dezena de investidores. O escritório cuida apenas da gestão burocrática, financeira e legal dos recursos. Apresentei ele ao Mário, que estava procurando investidores para o filme, por saber da sua competência”, escreveu.
PF apura se valores repassados por Vorcaro teriam bancado ex-deputado nos EUA
A Polícia Federal (PF) investiga se o valor repassado por Vorcaro teria sido utilizado para pagar as despesas do Eduardo nos Estados Unidos, onde mora desde fevereiro do ano passado.
De acordo com o conteúdo vazado pelo Intercept Brasil nessa quarta-feira, 13, o senador Flávio Bolsonaro teria negociado com o banqueiro o valor de R$ 134 milhões para financiar o filme o produzido sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do parlamentar.
Segundo o portal, parte desse montante teria sido pago através de remessas feitas pela Entre Investimentos e Participações, que atuava em colaboração com empresas de Vorcaro, para o fundo Havengate Development Fund LP, com sede no Texas, Estados Unidos.
De acordo com informações da Folha de São Paulo, a PF investiga se parte dos recursos ligados a Vorcaro teriam sido utilizados para pagar despesas de Eduardo Bolsonaro no exterior.
Além de ter enfatizado que a sua participação no filme foi de apenas buscar investidores para o projeto, Flávio Bolsonaro afirmou nessa quinta, em entrevista à Globonews, que os valores foram repassados para o fundo, administrado pelo advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador. Porém, o pré-candidato a presidente destacou que o dinheiro não foi para o ex-deputado e que o fundo era integralmente utilizado para a produção do projeto.
Eduardo disse ter feito contrato com a produtora
Na noite desta sexta-feira, após as novas informações do Intercept, Eduardo Bolsonaro considerou que o material divulgado pelo jornal seria “mentira” e admitiu ter investido 50 mil dólares no projeto. De acordo com o ex-deputado, ele teria realizado o curso intitulado “Ação Conservadora”, em 2024, e teria utilizado o dinheiro arrecadado para garantir o contrato com um diretor de Hollywood para o filme.
“Nesse tempo, estava nascendo o sonho de fazer um filme da história do meu pai. Naquele tempo, a gente sonhava em contratar estrelas de Hollywood, mas sabíamos que ia ser muito difícil. Com o dinheiro dos recursos da Ação Conservadora, eu peguei 350 mil reais, transformei em cerca de 50 mil dólares e mandei para os EUA para garantir o contrato com um diretor de Hollywood para começar a rascunhar essa historia para, lá na frente, se conseguíssemos um investidor ou um grupo de investidores para fazer o filme acontecer”, explicou.
“Nós conseguimos segurar diretor de Hollywood dois anos com esse contrato. Eu fui um louco, porque coloquei todo o risco somente para mim. Estava chegando no final desse contrato, nós iríamos perder o diretor de Hollywood, quando surgiu a possibilidade de um grande investidor vir a nos ajudar a fazer o filme, que depois acabou sendo vários investidores”.
Ainda segundo Eduardo, nessa época, o seu contrato era com a produtora, mas após verem a possibilidade de realizar o projeto, colocaram toda a estrutura fora dos Estados Unidos. Ele ainda afirma que, quando a estrutura passou a ser um fundo de investimentos, ele saiu da posição de diretor executivo e passou apenas a ser uma pessoa que assinou os direitos autorais para ser representado no filme.
“Eu recebi o dinheiro de volta por conta do contrato com a produtora, mas isso não passou pelo fundo, e recebi o dinheiro que era meu”.

