Na última segunda-feira (1º), a União, por meio do Tesouro Nacional, depositou na conta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a bagatela de R$ 4,9 bilhões. O depósito cumpre exigência legal e é relativo ao Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), o chamado “fundão eleitoral”. É recurso do bolso do contribuinte que vai para os partidos políticos bancarem os seus candidatos na eleição de 2026.
Quando foi instituído, em 2017, o fundão tinha o objetivo de substituir o dinheiro das empresas, proibido naquele ano pelo Supremo, por uma fonte pública e fiscalizável.
A promessa era sanear as campanhas. Desde então, o instrumento virou a principal fonte de custeio eleitoral do país e não parou de crescer.


EXCESSO DE DINHEIRO PÚBLICO
Os números denunciam a escalada. O governo propôs R$ 1 bilhão para 2026. O Congresso multiplicou a cifra por cinco. Entretanto, o discurso da austeridade segue intacto nos mesmos plenários.
Somada ao Fundo Partidário, estimado em R$ 1,4 bilhão, a cifra revela o que poucos brasileiros sabem: os partidos devem receber neste ano R$ 6,3 bilhões em dinheiro público.
R$ 6,3 BILHÕES
É a quantia em dinheiro público que os partidos devem receber em 2026
QUEM LEVA A MAIOR FATIA
A divisão não é igualitária. A lei garante que não seja. Quase metade do fundo é repartida pelo número de cadeiras na Câmara.
A divisão oficial do fundo será divulgada no próximo dia 16 de junho, conforme a previsão legal. Entretanto, de acordo com um estudo divulgado pela Fundação 1º de Maio, ligada ao partido Solidariedade, o Partido Liberal (PL) deve liderar com R$ 886,7 milhões, quase 18% do total. Ele só perde o posto com a soma de União Brasil e PP, que formam agora a Federação União Progressista: R$ 953 milhões.
O PT (PT) aparece em seguida, com R$ 619,7 milhões. Como o partido integra uma federação com PCdoB e PV, o valor a ser recebido salta para R$ 720 milhões.
A lista segue com PSD (R$ 420 mi), MDB (R$ 404 mi), Republicanos (R$ 343 mi) e Podemos (R$ 236 mi).
CONTA NAS COLIGAÇÕES CEARENSES
Levando em conta as pré-candidaturas já lançadas no Ceará, Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT) têm, com folga, as maiores reuniões de partidos com recursos a receber.
Os maiores partidos que anunciaram apoio a Ciro — a Federação União-PP, o PL, o PSDB e o Cidadania — somam R$ 2,04 bilhões.
Aliados de Elmano, Federação PT-PCdoB-PV, PSD, PSB, MDB e Republicanos somam, em âmbito nacional, R$ 2,03 bilhões.
Apesar dos números elevados, os recursos que serão destinados aos palanques estaduais serão definidos em Brasília, pois cabe à direção nacional dos partidos o direcionamento dos valores.

