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A jovem Ana Clara Oliveira, que teve as mãos decepadas pelo ex-cunhado, realiza sessões de fisioterapia diárias para recuperar os movimentos. O tratamento custa mais de R$ 10 mil por mês. Por isso, para manter o atendimento indicado pelos cirurgiões que reimplantaram os membros, ela abriu uma vaquinha que busca cobrir os gastos.
Após a cirurgia, os médicos recomendaram fisioterapeutas especializados em reabilitação de pacientes amputados. “Na minha cidade (Quixeramobim) tem quem faça fisioterapia, mas não especialistas no meu caso, porque é muito delicado. Um membro reimplantado tem que aprender tudo de novo. A gente seguiu a recomendação do cirurgião do IJF“, detalhou.

Legenda: Ana Clara tem realizado sessões de fisioterapia com os profissionais recomendados pelos médicos cirurgiões.
Foto: Arquivo pessoal.
Em entrevista ao Diário do Nordeste, Ana Clara disse que tem realizado sessões diárias, gastando mensalmente R$ 7,5 mil para as fisioterapias das mãos e R$ 3 mil para a perna. Durante o ataque, um de seus tendões foi rompido, afetando sua locomoção.
“É uma sensação muito ruim pra uma jovem que tinha uma vida totalmente ativa e que, de um dia para a noite, vê tudo mudar. Mas a gente tem esperança, sim, a gente nunca perdeu a fé. O tratamento é o processo. Para Deus, nada é impossível. Os cirurgiões disseram que vou conseguir trabalhar e fazer minhas atividades normais. Claro que pode ter uma sequela, mas nada que vá atrapalhar o futuro que tenho pela frente”. Ana Clara Oliveira
Jovem que teve mãos decepadas
A tentativa de feminicídio foi registrada na madrugada do dia 1º de maio, em Quixeramobim, município no sertão central cearense. Na data, Ana Clara foi atacada pelo seu ex-namorado, Ronivaldo Rocha dos Santos, 40, e pelo irmão dele, Evangelista Rocha dos Santos, 34.
As mãos dela foram reimplantadas no Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza, em cirurgia que durou cerca de 12 horas.
FAMILIARES EM FORTALEZA
Após o ataque, a mãe e o padrasto de Ana Clara saíram de Quixeramobim e vieram para Fortaleza a fim de dar suporte à jovem. Os três estão residindo na capital cearense, na casa de amigos próximos, enquanto ela realiza as fisioterapias e os outros procedimentos necessários para garantir a recuperação.
“A minha família abandonou o trabalho em Quixeramobim para me dar um suporte, e a gente não tem condições de estar arcando com o tratamento. A gente pede ajuda das pessoas. Se não puder doar financeiramente, que ajude a compartilhar”, pediu ela.
Além do tratamento, iniciado nos primeiros dias este mês, eles também estão custeando alimentação e o transporte diário até a clínica.
PERÍODO DE RECUPERAÇÃO
Ana Clara seguirá com o tratamento da perna por mais três ou quatro meses. No entanto, a recuperação das mãos ainda não tem previsão para acabar. “Os médicos dizem mais de um ano. O bom é que depois de um mês com essa fisioterapia, já comecei a ver os resultados”.
“É um processo lento, mas já consigo mexer mais. Consigo pegar alguma coisa com as mãos. Não com os dedos, mas já estou com eles um pouco mais abertos. Consegui abrir mais. Depois da cirurgia, consigo subir e descer o polegar. É pouca coisa, mas para a gente é gratificante com o resultado que estamos vendo”. Ana Clara Oliveira
Jovem que sobreviveu à tentativa de feminicídio
Após essa primeira fase do tratamento, que busca reduzir ao máximo as sequelas, Ana Clara comentou que pretende migrar para a rede pública. No entanto, reforçou que essa mudança deve ocorrer apenas “no final do processo, quando os médicos perceberem que o progresso está bem avançado”.
COMO CONTRIBUIR COM A VAQUINHA?
Para ajudar Ana Clara, é possível fazer doações através de:
- Pix: 6161044@vakinha.com.br;
- Site oficial da vaquinha: Aqui.
Ela tem a meta de R$ 80 mil, mas só arrecadou R$ 3,8 mil.
EX-NAMORADO E IRMÃO DELE ESTÃO PRESOS
Os irmãos presos por decepar com uma foice as mãos da jovem foram indiciados pela Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) por tentativa de feminicídio.
A Delegacia Municipal de Quixeramobim apontou que adupla usou “violência extrema, cruel e desproporcional” contra a mulher, em um contexto de violência doméstica de Ronivaldo contra Ana, “marcado por agressões físicas, ameaças, humilhações, comportamento possessivo”.
Os dois seguem presos na Unidade Prisional de Caucaia, para onde foram transferidos de Quixeramobim.

