Técnicos da Embaixada do Brasil nos Estados Unidos vão acompanhar, pessoalmente em Washington, a audiência desta terça-feira (7) sobre o tarifaço. Os representantes do governo brasileiro ficarão responsáveis por observar os acontecimentos, mas sem interferir na sessão.
Segundo relatos de fontes no governo, o Brasil adota como praxe enviar observadores a eventos estrangeiros que podem impactar o país. Diplomatas estiveram presentes em todas as audiências do USTR (Representante Comercial dos EUA) para a investigação da chamada “seção 301” até agora.
Os diplomatas serão os “olhos” do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na audiência, que é aberta ao público. Além de representantes de setores econômicos e empresas do Brasil e dos EUA, participa da sessão o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Os enviados, porém, não terão funções para além de observar as sessões. Nos bastidores, o governo brasileiro – mesmo pressionado pela participação de Flávio Bolsonaro – vem repetindo que vê a audiência do USTR como um espaço para participação do setor privado nos debates e não interferirá.
A avaliação do governo federal é de que já constituiu um canal formal de negociação com os Estados Unidos, um grupo de trabalhocriado após o encontro entre o petista e Donald Trump na Casa Branca. Auxiliares do presidente indicam que participar da audiência seria inócuo.
A tendência é de que o grupo de trabalho volte a se reunir nesta semana. Apesar do canal constituído, uma ala do governo é pessimista sobre a chance de o Brasil escapar do tarifaçode 25%. Os EUA decidem sobre a taxa até o dia 15 de julho.
Negociação entre Brasil e EUA
Em reunião do grupo de trabalho na última semana, representantes do governo federal apresentaram aos EUA um plano com medidas que o Brasil pode adotar para contornar as investigações da “seção 301”, que serve como base para a ameaça norte-americana de taxar o país em 25%.
O Brasil apresentou as medidas que poderia estabelecer para contemplar preocupações norte-americanas relacionadas a cada um dos seis eixos da investigação, que critica desde corrupção ao controle do desmatamento. O governo, contudo, voltou a dizer que o Pix é inegociável e deixou a ferramenta de fora do documento.
Parte das medidas apresentadas pelo Brasil são textos em tramitação no Congresso Nacional ou medidas infralegais formuladas internamente no Palácio do Planalto, apurou a CNN.
Em reuniões anteriores, segundo fontes próximas ao assunto, o foco foi a discussão tarifária. O Brasil acenou aos norte-americanos com a possibilidade de reduzir taxas para cerca de 300 linhas tarifárias.
Sob as diretrizes da OMC (Organização Mundial do Comércio), o Brasil não poderia baixar tarifas para um único país. Portanto, não poderia fazê-lo somente aos Estados Unidos. A solução encontrada foi acenar com a redução das taxas — a vários países — em setores nos quais os Estados Unidos teriam maiores condições de competir e que não prejudicariam a indústria nacional.
Entre os setores discutidos estão máquinas e equipamentos não produzidos no Brasil, como equipamentos para setor de saúde – especialmente de olho na forte e crescente demanda do SUS (Sistema Único de Saúde), e tecnologia de informação.

