O Ceará assumiu a liderança do Nordeste no Ranking de Competitividade dos Estados de 2026, ao subir da 14ª para a 11ª posição nacional. O avanço estadual veio acompanhado de outro resultado cearense: Eusébio passou a ser o município mais bem colocado da região, depois de ganhar 56 posições e chegar ao 58º lugar entre 423 cidades analisadas. Recife aparece logo atrás entre os municípios nordestinos, na 69ª posição, enquanto Pernambuco subiu duas colocações entre os estados e chegou ao 17º lugar.
Os dois levantamentos foram divulgados nesta quinta-feira (27) pelo Centro de Liderança Pública (CLP). O ranking estadual compara as 27 unidades da Federação, com trabalho técnico da Tendências Consultoria, enquanto o municipal reúne cidades com mais de 80 mil habitantes. Nesse segundo recorte, foram incluídos 423 municípios, equivalentes a 7,59% das cidades brasileiras, mas que concentram 60,5% da população do país.
O corte populacional explica por que o ranking municipal não inclui todos os municípios brasileiros. A seleção usa a estimativa de população do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2025 e, por isso, os resultados só podem ser comparados dentro desse universo. O próprio relatório alerta que as posições não devem ser generalizadas para as cidades que ficaram fora da amostra.
Ceará toma a dianteira regional
A mudança mais importante entre os estados nordestinos ocorreu justamente entre Ceará e Paraíba. O Ceará avançou três posições, chegou ao 11º lugar nacional e deixou a Paraíba na 12ª colocação. O movimento foi, ao lado do Amazonas, o maior ganho registrado no ranking geral entre 2025 e 2026.
Parte dessa subida veio de Potencial de Mercado, pilar em que o Ceará avançou 13 posições e chegou ao 8º lugar. O estado também ganhou sete colocações em Eficiência da Máquina Pública, quatro em Sustentabilidade Ambiental e três em Segurança Pública e Inovação.
A nova ordem regional deixa, depois de Ceará e Paraíba, o Rio Grande do Norte em 15º, Sergipe em 16º e Pernambuco em 17º. Alagoas aparece em 18º, Piauí em 19º, Bahia em 21º e Maranhão em 23º. Nenhum estado nordestino entrou entre os dez primeiros do país.
Pernambuco ganhou duas posições e teve seu avanço mais forte justamente em Potencial de Mercado, com salto de nove colocações. Também subiu quatro posições em Segurança Pública e duas em Solidez Fiscal, pilar em que chegou ao 12º lugar nacional.
O Ceará aparece ainda em 5º lugar em Educação, melhor desempenho nordestino nesse pilar. A avaliação considera indicadores relacionados à qualidade e ao acesso ao ensino, entre eles desempenho educacional, frequência escolar e atendimento na educação infantil.

Eusébio passa Recife entre os municípios
Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza, assumiu a liderança do Nordeste entre os municípios ao subir 56 posições e chegar ao 58º lugar no país. Com população estimada em 82 mil habitantes em 2025, a cidade tem porte bem menor que as capitais que aparecem entre as primeiras colocadas da região.
O município também se diferencia pelo nível de renda e atividade econômica. Segundo o IBGE, o PIB per capita de Eusébio chegou a R$ 66,6 mil em 2023. Dados do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) mostram ainda que Eusébio tinha o maior rendimento domiciliar per capita do Ceará no Censo de 2022, de R$ 2.512,70 mensais.
É nesse contexto que Eusébio ultrapassou Recife no ranking de 2026. A capital pernambucana caiu oito posições e aparece agora em 69º lugar no país, embora continue como a capital nordestina mais bem colocada. São Cristóvão (SE), em 75º, e Teresina (PI), em 90º, completam o grupo das quatro cidades da região entre as 100 primeiras.
A maior movimentação regional, porém, veio de Sergipe. São Cristóvão avançou 158 posições, chegou ao 75º lugar e passou a ser o terceiro município mais competitivo do Nordeste. Teresina, que ganhou 17 posições e ficou em 90º, completa o grupo de quatro cidades nordestinas entre as 100 primeiras do país.
A partir daí, a presença regional se torna mais espaçada. Fortaleza aparece em 104º, seguida por Aracaju, em 131º; Sobral, em 135º; João Pessoa, em 137º; São Luís, em 147º; Salvador, em 149º; e Natal, em 157º.
Pernambuco volta a aparecer com Serra Talhada, em 171º; Belo Jardim, em 201º; Caruaru, em 204º; e Petrolina, em 234º. Recife, apesar da perda de oito posições, segue como a capital mais bem classificada do Nordeste. Entre as capitais do Norte e Nordeste, apenas Recife e Palmas ficaram fora do grupo das 14 com posições mais baixas no ranking das capitais.
Região ocupa quase metade das 100 últimas posições
A concentração de alguns municípios nas primeiras posições não se repete quando o conjunto da região é observado. Dos 423 municípios analisados, 98 são nordestinos, o equivalente a 23,2% da amostra. Ainda assim, 48 deles estão entre os 100 últimos colocados do país.
A diferença permanece nos recortes menores: o Nordeste tem 23 dos 50 últimos municípios e nove dos 20 últimos. Na média, uma cidade da região ocupa a 301ª posição no ranking geral, duas colocações abaixo da média observada na edição anterior.
A maior dificuldade aparece na dimensão Sociedade. Enquanto a posição média dos municípios nordestinos é 253ª em Instituições e 280ª em Economia, cai para 312ª em Sociedade. É nessa dimensão que entram indicadores de saúde, educação, segurança, saneamento e meio ambiente.
Patos (PB) teve a maior queda da região, com perda de 103 posições e chegada ao 346º lugar. Entre as colocações mais baixas aparecem ainda Bayeux (PB) e municípios maranhenses como Caxias, Codó, Chapadinha, Barra do Corda e Pinheiro.
Santa Catarina quebra liderança de São Paulo
No ranking dos estados, a mudança regional ocorreu ao mesmo tempo em que o país ganhou um novo líder. Santa Catarina ultrapassou São Paulo e assumiu pela primeira vez a primeira colocação. A diferença entre os dois vinha diminuindo: a vantagem paulista era de 5,6 pontos em 2023, caiu para 2,7 em 2024 e para um ponto em 2025. Em 2026, Santa Catarina abriu 6,4 pontos de vantagem.
A virada catarinense veio de ganhos em diferentes áreas. O estado subiu sete posições em Educação e outras sete em Eficiência da Máquina Pública, além de avançar em Solidez Fiscal, Sustentabilidade Ambiental e Potencial de Mercado.
São Paulo perdeu a liderança geral, mas continuou em primeiro lugar nos pilares de Infraestrutura, Educação e Sustentabilidade Ambiental. A própria metodologia recomenda cuidado com esse tipo de comparação: perder posição não significa necessariamente piorar em termos absolutos, porque o resultado depende do desempenho relativo das 27 unidades da Federação.
Depois de Santa Catarina e São Paulo aparecem Paraná, Rio Grande do Sul e Espírito Santo. O Paraná mantém a terceira colocação desde 2022, enquanto o Rio Grande do Sul chegou ao quarto lugar pela primeira vez.
Dados são transformados em notas de zero a 100
Essa leitura relativa decorre da forma como o ranking é construído. No levantamento estadual, os indicadores são agrupados em dez pilares, que abrangem Segurança Pública, Sustentabilidade Social, Infraestrutura, Educação, Solidez Fiscal, Eficiência da Máquina Pública, Capital Humano, Sustentabilidade Ambiental, Potencial de Mercado e Inovação.
As informações vêm de bases públicas ou são calculadas a partir de dados públicos. A seleção prioriza indicadores quantitativos, de abrangência nacional e atualização periódica. Pesquisas de opinião e indicadores considerados temporários ou de interpretação dúbia são excluídos. O relatório ressalva que os dados utilizados não passam por auditoria independente dos responsáveis pelo ranking.
Como as bases utilizam unidades diferentes, os dados são convertidos para uma escala entre zero e 100. Quanto mais perto de 100, melhor a posição relativa. Quando um indicador mede um problema, como homicídios, a escala é invertida para que o menor resultado bruto corresponda à maior nota.
Os indicadores também não têm o mesmo peso. Em 2026, Segurança Pública, Sustentabilidade Social, Infraestrutura e Educação respondem por 11,3% cada. Solidez Fiscal e Eficiência da Máquina Pública têm peso de 10,5%, enquanto Sustentabilidade Ambiental responde por 10,4%, Potencial de Mercado por 9,1% e Capital Humano e Inovação por 7,1% cada.
Outro cuidado está no período dos dados. A edição de 2026 reúne as informações mais recentes disponíveis para cada indicador, mas os anos de referência não são necessariamente os mesmos. Há bases de 2026, 2025, 2024 e de anos anteriores. Quando uma fonte não oferece atualização, a metodologia mantém a nota normalizada utilizada na edição passada.
No ranking municipal, a lógica é semelhante, mas a estrutura muda. São 65 indicadores divididos em 13 pilares e três dimensões: Instituições, Sociedade e Economia. O recorte inclui temas como sustentabilidade fiscal, funcionamento da máquina pública, saúde, educação, segurança, saneamento, meio ambiente, inserção econômica, inovação, capital humano e telecomunicações.
Por isso, tanto no ranking dos estados quanto no dos municípios, a posição funciona como uma comparação dentro do grupo analisado. Ela mostra quem avançou mais ou ficou para trás diante dos demais, mas não pode ser tomada isoladamente como prova de melhora ou deterioração absoluta.

