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EX-SENADOR TINHA CONTRATO COM EMPRESA DO BANQUEIRO
O ex-senador cearense Chiquinho Feitosa, ex-cunhado do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), manteve, em 2024, conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, sobre processos em tramitação na Corte.
Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) e analisadas pelo Estadão indicam que Feitosa também recebeu pagamentos por serviços de “assessoria” ligados aos interesses de Vorcaro.
Segundo os dialogos, um contrato com a empresa Super Empreendimentos, ligada a Vorcaro, previa pagamento mensal de R$ 500 mil, além de um honorário extra de R$ 800 mil na primeira parcela.
A PF aponta a empresa como instrumento de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Feitosa afirmou que teve apenas um contrato de consultoria, por curto periodo, quando a empresa era considerada idônea.
Entre os assuntos tratados estavam precatórios adquiridos por fundos ligados ao Master e a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 81, relacionada à abertura de cursos de Medicina.
Gilmar Mendes participou dos dois casos. As mensagens também indicam que Feitosa articulou encontros e conversas envolvendo Vorcaro, advogados e pessoas próximas ao ministro.
Em nota, Gilmar Mendes afirmou que não tinha conhecimento das tratativas entre Feitosa e Vorcaro e que não responde pelas relações profissionais de seu ex-cunhado.
O ministro confirmou ter recebido advogados do Banco Master em audiência no STF, mas ressaltou que o encontro ocorreu em ambiente institucional. Segundo ele, seus votos nos processos citados foram contrários aos interesses apontados na reportagem.
Feitosa negou ter intermediado encontros entre funcionários do Master e Gilmar e disse desconhecer que alguns dos advogados mencionados atuavam para o banco.

