Imagens foram gravadas em agosto, durante a 4ª Marcha para Exu, na Avenida Paulista. Vídeo voltou a circular nas redes sociais após manifestação de apoio ao presidente, realizada no domingo (11).
Um vídeo que mostra um homem cantando um ponto de religiões de matriz africana passou a circular nas redes sociais com a alegação de que as imagens seriam de um ato de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado no domingo (11), na Avenida Paulista, em São Paulo. As publicações afirmam que a manifestação teria se transformado em um suposto “ritual de invocação de Satanás”.
A informação, no entanto, é falsa, segundo uma checagem publicada pela Agência Lupa nesta segunda-feira (12).
De acordo com a investigação, o vídeo foi gravado em 16 de agosto, durante a 4ª Marcha para Exu, evento que reuniu religiosos, simpatizantes e integrantes de terreiros de diferentes regiões do país. A gravação original foi localizada por meio de uma busca reversa de imagens.
Vídeo foi gravado em evento religioso
A marcha ocorreu na Avenida Paulista, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), e contou com a participação de caravanas de diferentes estados brasileiros.
As imagens voltaram a circular após o ato político de apoio a Lula, realizado no mesmo local no último domingo. Publicações no Instagram, Facebook, X e TikTok passaram a apresentar o vídeo antigo como se tivesse sido registrado durante a manifestação eleitoral.
Uma das publicações que difundiram a alegação no Facebook acumulou cerca de 30 mil visualizações, conforme a Agência Lupa.
A checagem também apontou que conteúdos semelhantes foram compartilhados por figuras políticas, entre elas o deputado federal Zé Trovão (PL-SC).
Eventos diferentes
O ato de apoio a Lula aconteceu no domingo (11) e reuniu apoiadores, aliados e lideranças políticas. Durante a manifestação, o presidente defendeu que seus eleitores conversassem com pessoas que deixaram de votar no primeiro turno.
Embora os dois eventos tenham ocorrido na Avenida Paulista, eles foram realizados em datas diferentes e tinham propostas distintas. Não há evidências de que o vídeo da marcha religiosa tenha relação com a campanha eleitoral do presidente.
Desinformação e intolerância religiosa
A circulação do vídeo com legendas enganosas ocorre em meio à disseminação de publicações que associam Lula e a primeira-dama, Janja da Silva, a supostos rituais satânicos.
Em reportagem publicada no início de outubro, a Agência Lupa já havia identificado conteúdos falsos sobre o tema, incluindo imagens manipuladas por inteligência artificial.
A atribuição incorreta de vídeos e imagens a acontecimentos políticos pode induzir o público ao erro, especialmente quando o material é compartilhado sem a data ou o contexto original.

