Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) avaliam que ele deverá aguardar ao menos 15 dias após retornar para casa antes de retomar conversas sobre eleições.
A previsão ocorre após a decisão do ministro Alexandre de Moraes que concedeu prisão domiciliar ao ex-presidente por um período inicial de 90 dias, com uma série de restrições.
Nesse período inicial, a interlocução política deve ser feita principalmente pelo senador e pré-candidato à Presidência, Flavio Bolsonaro (PL).
Segundo relatos de aliados, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também deve exercer influência nas decisões políticas.
Integrantes do PL reconhecem que a decisão de Moraes tem relevância do ponto de vista humanitário e de saúde, mas avaliam também que a medida tem um fator político.
Eles criticam o prazo de 90 dias imposto por Moraes à domiciliar, algo que foi visto como uma novidade e é interpretado como uma forma de controle mais rígido da atuação do ex-presidente.
Na decisão, Moraes delimita a suspensão de visitas por 90 dias, com exceção de familiares e advogados, com o objetivo de evitar riscos à saúde e infecções.
Um interlocutor de Bolsonaro resumiu o cenário afirmando que a medida deixa Flávio Bolsonaro “refém” de Moraes, com a necessidade de manter contato frequente com o ministro, assumindo o papel de intermediador do ex-presidente.
Apesar das limitações, aliados afirmam que Bolsonaro ainda poderá se manifestar politicamente por meio de cartas, mensagens e recados transmitidos por Flávio.
Mesmo com as restrições, a avaliação dentro do grupo político é que não haverá mudança no discurso da oposição em posições contra o Supremo. A estratégia seguirá com base na crítica à condenação e na narrativa de injustiça contra Bolsonaro.
