A Presidência da República solicitou, em janeiro de 2021, que o Ministério da Educação (MEC) recebesse Arilton Moura, um dos pastores suspeitos de atuar em um esquema de corrupção no governo, além de cobrar retorno da pasta sobre as providências adotadas. As informações foram publicadas em reportagem do jornal Folha de São Paulo.
O pedido de reunião ao MEC e a cobrança do Planalto sobre os encaminhamentos estão em um e-mail obtido pela Folha. A mensagem partiu do gabinete do então ministro da Casa Civil, general Walter Braga Netto, cotado para vice na chapa à reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL).
O e-mail foi enviado pelo gabinete de Braga Netto em 7 de janeiro de 2021, com uma solicitação de audiência em nome de Arilton Moura para que a pasta avaliasse a “pertinência em atender”. O texto ainda cobra retorno sobre as “providências adotadas por esse Ministério”. Planalto, MEC e o ex-ministro foram questionados, mas não responderam.
Junto com o ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, e o pastor Gilmar Santos, Arilton Moura é alvo de investigação da Polícia Federal que apura a existência de um “gabinete paralelo” no MEC e a cobrança de propina em dinheiro a prefeitos. O caso veio à tona em março deste ano. A prática ilícita seria controlada por Ribeiro.
Em seguida, um áudio revelado pela Folha de S. Paulo mostrou que o ex-ministro dava prioridade para os pedidos dos pastores e que a liberação de recursos era um “pedido especial” de Bolsonaro. Milton Ribeiro chegou a ser preso em 22 de junho, e solto no dia seguinte.
CASO SUBMETIDO AO STF
O caso foi submetido para o Supremo Tribunal Federal (STF) após indícios de que Bolsonaro interferiu nas investigações e teria avisado Ribeiro da possibilidade de operação contra ele.
Arilton Moura esteve 30 dias no Palácio do Planalto entre 2019 e fevereiro de 2022, mas não há informações se ele esteve no MEC ou na Casa Civil no dia 7 de janeiro de 2021. Após essa data, no entanto, ele esteve em cinco visitas ao local.
Em 10 de fevereiro de 2021, ainda conforme a Folha, os religiosos organizaram uma agenda no MEC com a presença de cerca de 40 prefeitos. Bolsonaro compareceu ao encontro e, a interlocutores, o pastor Arilton diz que foi ele quem convidou o presidente para essa agenda sob a promessa de que reuniria um número considerável de prefeitos.

