O irmão do senador Ciro Nogueira (PP), Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, é um dos alvos da 5ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF (Polícia Federal) nesta quinta-feira (7). Raimundo terá que utilizar tornozeleira eletrônica, entregar passaporte e não poderá se comunicar com outros envolvidos.
O envolvimento de Raimundo é investigado por conta de sua posição como administradorformal da CNLF, empresa que adquiriu ações da Green Investimentos, presidida por Felipe Cançado Vorcaro – primo de Vorcaro –, por um valor abaixo da média do mercado. As ações, com valor estimado de R$ 13 milhões, foram compradas por R$ 1 milhão.
Conforme mostra a decisão do ministro André Mendonça, a PF conclui que a posição de Raimundo na empresa “não é acidental ou superveniente, mas voltada a conferir forma jurídica e cobertura documental à operação apontada como mecanismo dissimulado de transferência de vantagem econômica ao núcleo político investigado“.
Raimundo já ocupou o cargo de secretário parlamentar no gabinete de Ciro Nogueira, quando o senador ainda era deputado federal nos anos 1990 e 2000. Também no setor público, foi presidente da Agespisa (Águas e Esgotos do Piauí S/A).
Operação Compliance Zero
Deflagrada em novembro de 2025, a operação Compliance Zero tem objetivo de investigar os crimes relacionados ao Banco Master, com a finalidade de combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o SFN (Sistema Financeiro Nacional).
A operação foi a responsável pela prisão do dono do Master, Daniel Vorcaro, mirando evitar uma possível fuga do ex-banqueiro.
Houve ainda ordem de bloqueio em contas em R$ 12,2 bilhões, além de apreensões de diversos carros de luxo, obras de arte e relógios.
As investigações tiveram início em 2024, após requisição do Ministério Público Federal, para investigar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Tais títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.
Já em 2026, a operação prendeu o ex-presidente do BRB (Banco Regional de Brasília) Paulo Henrique Costa, suspeito de receber R$ 140 milhões de Vorcaro como propina para viabilizar a compra do Master, e também coordenar uma pressão interna para que acionistas comprassem ações usando verbas vindas do próprio Banco Master.

