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BRASIL TEVE AUMENTO DE COMPLICAÇÕES
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai monitorar, de forma contínua e com metodologia científica, os efeitos colaterais de medicamentos agonistas do receptor do GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.
O Plano de Farmacovigilância Ativa foi criado pela diretoria da Anvisa diante do aumento do uso desses medicamentos, muitas vezes fora das indicações previstas na bula.
O monitoramento contará com a participação voluntária da Rede Sentinela, composta por serviços de saúde, estabelecimentos de ensino e pesquisa, serviços de assistência farmacêutica, laboratórios clínicos e de anatomia patológica.
A ação agrega a HU Brasil (antiga Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, Ebserh), que reúne hospitais universitários em todo o país.
Entre 2018 e março deste ano, foram registradas 2.965 notificações de eventos adversos relacionados a esses medicamentos, especialmente em 2025, e com predominância de casos associados ao uso da semaglutida.
Segundo o diretor da Anvisa, Thiago Lopes Cardoso Campos, a demanda pelas canetas emagrecedoras tem alimentado a circulação de produtos falsificados, manipulados ou de procedência desconhecida, que colocam em risco a saúde dos usuários.
“Medicamentos falsificados ou sem garantia de origem representam um risco sanitário gravíssimo.
Não há como assegurar esterilidade, qualidade, dosagem ou eficácia, o que pode expor pacientes a eventos adversos sérios e a danos irreversíveis”, expõe o diretor.
Por isso, Thiago defendeu a importância do Plano de Farmacovigilância Ativa, aliado a um acordo de cooperação com a Polícia Federal (PF) para ações conjuntas.
“Não basta registrar medicamentos. É indispensável acompanharmos como eles se comportam na vida real”, acrescentou Thiago Campos, argumentando que a sociedade não pode permitir que “o entusiasmo com a inovação obscureça os riscos associados ao uso indiscriminado” de novos medicamentos.

