O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marcou para esta quinta-feira (3), no Palácio do Planalto, um evento em que o governo deverá apresentar os resultados da estratégia para zerar a fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A redução do tempo de espera para aposentadorias, pensões e outros benefícios é uma promessa assumida por Lula desde o início do atual mandato, em 2023.
Batizada de “Atendimento Sem Fila na Previdência Social”, a cerimônia está prevista para as 15 horas e ganha peso político por ocorrer a poucas semanas das eleições presidenciais de 2026.
Atualmente, cerca de 1,3 milhão de pessoas aguardam análise de requerimentos. Na semana passada, durante sabatina na TV Globo, Lula antecipou que anunciaria o fim da fila e afirmou que apenas 251 mil pedidos permaneceriam com espera superior a 45 dias, patamar considerado normal pelo governo.
Segundo Lula, quando assumiu o terceiro mandato, aproximadamente 3 milhões de pessoas aguardavam atendimento na Previdência. Dados oficiais mostram que o estoque caiu para 1,8 milhão de requerimentos em junho e para 1,55 milhão no fim de julho, menor nível em 21 meses.
Alta nas negativas também chama atenção
A redução da fila, porém, vem acompanhada pelo crescimento do número de pedidos negados. Em junho, os indeferimentos se aproximaram de 1 milhão. No acumulado do ano, o volume de benefícios rejeitados cresceu 70% em comparação com igual período do ano anterior.
Entre os requerimentos com maior número de negativas estão os relacionados aos benefícios por incapacidade, como auxílio por incapacidade temporária, auxílio-acidente e aposentadoria por incapacidade permanente.
Mudança no comando do INSS
A estratégia para acelerar as análises também envolveu mudanças administrativas. A servidora de carreira Ana Cristina Viana Silveira, integrante do INSS desde 2003, assumiu a presidência da autarquia com a missão de enfrentar o represamento dos pedidos.
Antes de chegar ao comando do Instituto, Ana Cristina presidiu o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), período em que, segundo o governo, houve aumento da capacidade de análise dos recursos.
O desafio das filas se soma à necessidade de recuperar a confiança na Previdência após as investigações sobre descontos irregulares em aposentadorias e pensões, que levaram a afastamentos, demissões e prisões de integrantes da antiga cúpula do INSS.

