A estadia de Jade Romero (PT) na Vice-Governadoria é marcada pelo cumprimento irrestrito da “liturgia do cargo”. É o desejo de qualquer governante ter um vice que preserve o espaço do titular e evite ruído interno. E ela garantiu isso a Elmano de Freitas (PT). Essa constatação que, por um lado, restringiu sua atuação política individual, por outro deu a ela respaldo junto ao comando governista. Um trunfo para o novo momento.
Jade foi alçada à chapa governista em 2022 em um destes episódios que comprovam a máxima de que candidatura majoritária não é fruto apenas da vontade pessoal, mas das circunstâncias. Em meio ao rompimento com o PDT, o PT precisou montar uma chapa a toque de caixa. Após a recursa da primeira indicação do MDB, Jade estava no lugar certo, na hora cera. O contexto agora é outro.
No exercício do cargo, ela construiu relação de confiança com o núcleo político governista, especialmente com o governador e o ministro Camilo Santana. Ao longo da gestão, não houve episódios de tensão pública ou movimentos que indicassem tentativa de autonomia política fora do eixo.

TESTE DE ALTO RISCO
No início de abril, a vice-governadora topou uma tarefa de alto risco individual, mas vista nos bastidores como importante para o grupo: anunciar desfiliação do MDB e adesão à federação União Progressista. O ato era a cartada final do governismo para tentar atrair a federação para base. Deu errado.
O movimento mais recente dela ajuda o comando a destravar o arranjo eleitoral de 2026. A saída da disputa por vaga na chapa majoritária. Ao anunciar acordo para disputar vaga de deputada estadual, Jade deu mais um sinal de fidelidade ao projeto.
NOME JÁ CONSIDERADO FORTE
Agora, filiada ao PT, ela vai partir para um novo momento. A articulação política para a eleição ao Legislativo é bem diferente das indicações majoritárias. Será um desafio para quem exercitou pouco a formação de aliados regionais diante de concorrentes já experientes no petismo.
Nos bastidores, entretanto, Jade Romero já é vista como uma forte concorrente para uma cadeira na Assembleia pelo respaldo que deve ter do Palácio Abolição. De toda forma, a eleição 2026 será um novo teste para a capacidade política dela.
