Ex-funcionários do Partido Republicano da Ordem Social (Pros) denunciam que a sigla não pagou o salário de março nem quitou as verbas referentes à demissão, que foi oficializada no início deste mês.
No total, 69 ex-empregados do Pros dizem aguardar o dinheiro da rescisão desde 9 de abril. Eles trabalhavam na sede do partido, em Brasília, e na subsede, em Planaltina de Goiás. Os ex-funcionários atuavam em diversas áreas, como cozinha, contabilidade, financeira, recepção e auxiliar de serviços gerais.
A advogada Kelly Amorim disse à coluna que o Pros realizou a demissão em massa sem respeitar os direitos trabalhistas: “Cerca de 70 empregados foram desligados de forma arbitrária e em um processo eivado de ilegalidades, desde as divergências nas datas entre o aviso prévio e a comunicação formal dos funcionários, até o descumprimento do prazo previsto para o pagamento das verbas rescisórias, em total afronta às normas trabalhistas.”
Segundo a advogada, os ex-funcionários do partido “não têm outra alternativa senão o ajuizamento, também em massa, de reclamações trabalhistas para fazer valer os seus direitos, tendo em vista o desprezo e a má-fé da atual direção do Pros com os funcionários.”
Troca de chefia
As demissões ocorreram logo após Marcus Holanda assumir a presidência do Pros, em março deste ano. Isso aconteceu depois que a 8ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) declarou como válida a convenção que elegeu Holanda para comandar a sigla. A partir dessa decisão, o então presidente, Eurípedes Júnior, foi destituído.
Um ex-funcionário – que pediu para não ser identificado com medo de retaliação – disse à coluna que “há inúmeros erros na condução da demissão”. “Os funcionários foram obrigados a assinar um termo de quitação, ainda que sem o efetivo pagamento”, afirmou.
Outra ex-empregada cobrou publicamente o atual presidente do Pros. No Twitter, Yanca Santos escreveu: “São famílias passando por dificuldades. Não pedimos favores. É o nosso direito!”
A coluna tentou contato com Holanda, mas não obteve retorno. No Twitter, o presidente do Pros divulgou uma nota sobre as acusações, em 15 de abril.
Veja a manifestação:
Segundo Holanda, “o bloqueio das operações bancárias do partido, nestas duas últimas semanas, decorrente de exigências de documentos do TSE com a devida atualização do tesoureiro do Diretório Nacional ocasionou interrupção do processo de rescisão dos contratos de trabalho e dos devidos pagamentos, fato que lamentamos profundamente”.
O presidente do Pros disse que determinou “ao corpo jurídico e de pessoal que retomem o contato com todos os empregados para restabelecer o atendimento, acordos e respectivos pagamentos, no fiel cumprimento da lei.”
“O bloqueio das operações bancárias afetou todo o partido, num momento tão delicado de mudança. Porém, com o total cumprimento das exigências cadastrais, o Pros conseguiu restabelecer a normalidade bancária”, declarou Holanda.

