O Governo Federal precisará ampliar em R$ 16 bilhões e 480 milhões os recursos destinados ao Bolsa Família em 2026 para atender cerca de 1 milhão e 990 mil famílias que vivem em situação de vulnerabilidade social e ainda aguardam acesso ao benefício. Desse total, 80,6 mil famílias estão no Ceará.
Os dados fazem parte de um estudo elaborado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) e apresentado, nesta terça-feira (19), durante a abertura da XXVII Marcha Municipalista, em Brasília, evento que reúne mais de 3.500 prefeitos de todo o País.
O documento foi entregue ao Congresso Nacional e ao Governo Federal e acende um alerta sobre o crescimento da demanda reprimida no principal programa de transferência de renda do País.
QUASE 3,2 MILHÕES DE PESSOAS FORA DO PROGRAMA
Segundo a CNM, as quase 2 milhões de famílias fora do Bolsa Família representam aproximadamente:
- 3 milhões e 190 mil pessoas;
que possuem perfil de elegibilidade, mas permanecem sem acesso ao programa.
— “A ausência desse investimento fragiliza a estratégia nacional de redução das desigualdades” — destaca a entidade municipalista.
ALERTA SOBRE DESPROTEÇÃO SOCIAL
A CNM afirma que a redução do orçamento do Bolsa Família, sem atendimento da demanda reprimida, coloca em risco a política de proteção social no Brasil.
A entidade aponta:
- saída de famílias da folha de pagamento;
- enquanto novos lares em situação de pobreza não conseguem ingressar no programa.
— “Institucionaliza-se uma fila que desprotege a população mais vulnerável” — alerta o estudo.
ORÇAMENTO TERIA QUE CHEGAR A R$ 174 BILHÕES
Com base no benefício médio de R$ 690,01, a Confederação calcula que o orçamento do Bolsa Família precisaria subir:
- dos atuais R$ 157,5 bilhões;
- para cerca de R$ 174 bilhões em 2026.
Segundo a entidade, manter os valores atuais representa uma decisão política que deixa quase 2 milhões de famílias sem cobertura social.
PRESSÃO SOBRE AS PREFEITURAS
A CNM também denuncia que os municípios vêm sofrendo impacto crescente devido:
- à redução de repasses federais;
- ao aumento da demanda social;
- e à queda no financiamento da gestão local do Cadastro Único.
A entidade critica ainda a redução no valor per capita do Índice de Gestão Descentralizada do Bolsa Família (IGD-PBF).
— “A diminuição de R$ 0,75 no valor base compromete ações essenciais como busca ativa e atualização cadastral” — afirma o documento.
CENÁRIO PREOCUPANTE
Ao concluir o estudo, a CNM faz novo alerta ao Governo Federal:
- há transferência de responsabilidades da União para os municípios;
- enquanto cresce a pressão sobre os serviços locais de assistência social.
Segundo a entidade, o cenário de 2026 coloca em risco a sustentabilidade do sistema brasileiro de proteção social.


