O mal das crises é que elas começam devagarinho. O caso Lulinha nasceu de uma amizade com Roberta Luchsinger, a lobista do Careca do INSS. Ganhou corpo na prospecção de negócios com o governo federal. Agiganta-se agora com a descoberta de um elo monetário entre a amiga de Lulinha e um prestigiado assessor de Lula: Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola.
Até duas semanas atrás, Marcola ocupava o estratégico cargo de chefe de gabinete do presidente da República. Cuidava da agenda presidencial. Repassava recados do chefe para ministros. Filtrava os telefonemas para Lula. Em 21 de julho, foi exonerado do Planalto. Transferiu-se sem alarde para o comitê da campanha à reeleição.
Nesta segunda-feira, um dia depois da convenção que aclamou a recandidatura de Lula, Marcola ganhou o noticiário como beneficiário de transferência financeira de Roberta Luchsinger. O valor é mantido em segredo. Exposto em notícia do portal Poder 360, Marcola soltou uma nota. Nela, admite que recebeu dinheiro. Alega que foi um “empréstimo pessoal”, já “quitado”. Sustenta não ter praticado “nenhuma ilegalidade”.
O caso Lulinha já tinha evoluído de fio desencapado para um curto-circuito que eletrifica três inquéritos. A Polícia Federal investiga corrupção e tráfico de influência. O primogênito de Lula ficou radioativo. O dinheiro para Marcola eleva a radiatividade a apenas dois meses da eleição presidencial.

