Em entrevista concedida nesta segunda-feira (18) ao repórter Lucas Tadeu, do Bacci Notícias, o médico infectologista do hospital Albert Einstein e Secretário Municipal de São Bernardo do Campo, Jean Gorinchteyn, afirmou que apesar da preocupação, o comportamento do ebola é bastante diferente do coronavírus responsável pela pandemia de Covid-19.
“O alerta é para aumentar a vigilância”
Segundo o especialista, o anúncio feito pela OMS serve para colocar os países em estado de atenção e reforçar os protocolos sanitários internacionais.
“Todas as vezes que a Organização Mundial da Saúde faz esse alerta, ela avisa aos países que está acontecendo um surto naquela região e que existem mortes associadas. Isso não quer dizer fechar fronteiras, mas identificar pessoas com febre, dores no corpo, náusea, vômito ou quadros hemorrágicos para impedir que viajem”, explicou.
De acordo com Jean Gorinchteyn, o principal objetivo é evitar que pessoas infectadas deixem as áreas afetadas e levem o vírus para outros continentes.
Ebola é diferente da Covid-19
O infectologista destacou que a transmissão do ebola acontece de forma muito mais limitada do que a Covid-19, o que reduz as chances de uma disseminação mundial descontrolada.
“A forma de transmissão do ebola ocorre principalmente entre pessoas que têm contato muito próximo, especialmente cuidadores e familiares. Diferente da Covid, que era transmitida pelo ar através da tosse e espirros, o ebola exige contato direto com secreções contaminadas”, afirmou.
Ele explicou que o vírus costuma permanecer restrito a determinadas regiões justamente por depender desse contato direto entre pessoas.
Sintomas podem começar semanas após a infecção
Os primeiros sinais da doença podem surgir entre 15 e 30 dias após a exposição ao vírus. Inicialmente, os sintomas se parecem com os de outras infecções virais.
“Febre, dores no corpo, dor de cabeça, indisposição e náuseas são manifestações iniciais bastante comuns”, disse.
No entanto, o médico alertou que o grande diferencial do ebola são os quadros hemorrágicos: “O que chama atenção são os sangramentos. Quando isso acontece em alguém vindo de uma área endêmica, imediatamente surge a suspeita de ebola”, destacou.
Pacientes suspeitos são isolados e pessoas que tiveram contato próximo passam a ser monitoradas em quarentena.
Sem vacina específica, mortalidade preocupa
Embora existam estudos em andamento, ainda não há vacinas ou tratamentos específicos aprovados para a cepa Bundibugyo: “Já existem vacinas em desenvolvimento, mas elas ainda não estão plenamente estabelecidas. O mais importante é impedir que o vírus saia dessas áreas circunscritas”, afirmou.
Segundo o infectologista, a doença apresenta alta taxa de mortalidade, podendo matar entre 40% e 60% dos pacientes infectados.
Por isso, ele reforça que o diagnóstico precoce e a rápida adoção de protocolos de isolamento são fundamentais para conter o avanço do vírus.
Brasil possui protocolos para casos suspeitos
Jean Gorinchteyn afirmou que o Brasil possui sistemas preparados para identificar rapidamente eventuais casos importados da doença.
“Companhias aéreas já fazem controle de temperatura e impedem o embarque de pessoas febris. Caso alguém apresente sintomas durante o voo, as autoridades sanitárias são imediatamente acionadas”, explicou.
Ele citou o Hospital Emílio Ribas como uma das principais referências nacionais para atendimento de casos suspeitos de doenças infecciosas graves.
Além do isolamento do paciente, passageiros próximos também são monitorados preventivamente.
“O mundo aprendeu após a Covid”
Para o infectologista, a experiência da pandemia fortaleceu os sistemas internacionais de vigilância epidemiológica e comunicação entre países.
“O mundo se comunica melhor hoje através da Organização Mundial da Saúde. A informação rápida ajuda a impedir deslocamentos de pessoas doentes entre continentes”, declarou.
Mesmo assim, ele alerta que o intenso fluxo internacional de pessoas ainda representa um desafio: “A globalização fez com que doenças possam atravessar continentes em poucas horas. Por isso, a vigilância permanente continua sendo fundamental”, concluiu.

