O governador Elmano de Freitas revelou, nesta quarta-feira (6), que o Estado estuda uma possível mudança de perfil de atendimento do novo Hospital Geral Dr. César Cals (HGCC). A unidade de quase 100 anos está fechada desde novembro do ano passado, quando sofreu um incêndio, e deve passar por uma ampla reforma.
Segundo o gestor, a alteração no escopo de atuação da unidade de saúde está sendo discutida e será definida de acordo com a necessidade atual da população cearense. Para ele, o novo perfil do equipamento precisa oferecer serviços que o povo está procurando e que não estão sendo devidamente atendidos hoje.
A declaração de Elmano de Freitas ocorreu durante o lançamento do “Enem Chego Junto, Chego Bem”, programa da Secretaria Estadual da Educação (Seduc) que apoia estudantes no acesso ao ensino superior.
“Nós estamos discutindo se tem ou não tem mudança”, explicou o governador durante coletiva. Na ocasião, ele ressaltou ainda que o foco imediato do Estado é a resolução da reforma do hospital, junto à Superintendência de Obras Públicas (SOP), visando finalizar o projeto de reconstrução e dar início às obras do prédio, que é quase centenário.
Em seguida, com calma, vamos analisar o perfil do que a sociedade precisa, respeitando e considerando a história do César Cals e o perfil que o povo precisa. O que vai decidir não é o que o governador quer, mas a demanda do povo cearense.”Elmano de Freitas
Governador do Ceará
Ainda não há detalhes divulgados sobre os valores e quais estruturas serão erguidas ou mantidas durante a reforma. Em abril deste ano, no entanto, Elmano já havia anunciado que o prédio precisaria ser reconstruído do zero. Na época, o governador chegou a dizer que o estabelecimento não tinha condições de ser reformado e seria necessário um novo projeto.
DE MATERNIDADE A HOSPITAL MAIS VELHO DA REDE ESTADUAL
Até o fechamento, em novembro passado, o HGCC contava com mais de 290 leitos e era um marco nos serviços de obstetrícia e neonatologia de Fortaleza, destacando-se em partos — com mais de 3 mil nascimentos registrados entre janeiro e setembro de 2025 —, além de oferecer uma variedade de serviços especializados à população.
A relação com o binômio mãe-bebê remonta à origem da unidade de saúde, que nasceu da antiga Maternidade Dr. João Moreira, criada por iniciativa de médicos e de filantropos locais. O espaço foi inaugurado na Praça da Lagoinha em 31 de outubro de 1928, e foi incorporado à rede pública de saúde durante o governo de César Cals, em 1973.
Hospital mais antigo da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), a unidade teve o compromisso com a humanização, a qualidade do atendimento, a busca de excelência em todas as ações e a ética nas relações com os colaboradores, pacientes, fornecedores e visitantes, conforme a Pasta.
Estruturado em dois prédios, quando em funcionamento, o equipamento dispunha, no endereço principal, de emergência obstétrica 24 horas e de centros cirúrgico, cirúrgico obstétrico, de patologia clínica, de imagem e endoscopia. Já o anexo abrigava os serviços ambulatoriais, epidemiológicos, centro de custos e de estudos.
COMO FOI O INCÊNDIO NO HOSPITAL CÉSAR CALS EM FORTALEZA
Uma subestação de energia do equipamento foi atingida por um incêndio em 13 de novembro de 2025. Imagens compartilhadas nas redes sociais, naquele dia, mostravam a fumaça saindo do local, enquanto pacientes eram retirados do hospital, incluindo bebês em incubadoras, para o centro de comércio vizinho, conhecido como “Beco da Poeira”.

Na época, a Sesa comunicou que nenhuma área de atendimento foi afetada e que não houve vítimas. Na ocasião, o Corpo de Bombeiros Militar do Ceará (CBMC) declarou que não houve fogo, apenas fumaça, e que os danos foram limitados à parte externa. As instalações internas permaneceram inalteradas.
Em uma operação de 8 horas, 117 bebês e 153 mães, além de acompanhantes, foram transferidos do HGCC para outras unidades da rede estadual de saúde.

