A Prefeitura de Eusébio, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, inaugurou nesta terça-feira (13) o Núcleo Wolbachia, no bairro Lagoinha, e apresentou, durante coletiva à imprensa realizada no auditório da Secretaria Municipal das Finanças (SEFIN), a nova etapa da implementação do Método Wolbachia no município. A estratégia utiliza mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia, que reduz a capacidade de transmissão dos vírus da dengue, Zika e chikungunya. A primeira fase prevê beneficiar 32.625 moradores de nove bairros.
A programação teve a presença do prefeito de Eusébio, Dr. Junior, e do secretário municipal de Saúde, Zózimo Medeiros. Representando a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), participaram o secretário de Vigilância em Saúde do Estado, Dr. Antonio Lima e a coordenadora de Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador, Roberta de Paula Oliveira. Também estiveram presentes a coordenadora-geral da Fiocruz Ceará, Carla Celedoni; o assessor técnico da Vice-Presidência de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz Rio de Janeiro, Jorge Costa; o representante do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Ceará (Cosems/CE), Franze Cavalcante, e o gerente de implementação da Wolbito do Brasil, Gabriel Sylvestre.
Durante a coletiva, foram apresentados o funcionamento do método, a abrangência da primeira fase e o planejamento das atividades no município. A iniciativa tem o apoio do Ministério da Saúde, participação da Fiocruz e operação da Wolbito do Brasil, em articulação com a gestão municipal. Após a apresentação técnica, os participantes visitaram o Núcleo do Projeto Wolbachia, no bairro Lagoinha, estrutura de apoio às atividades de implementação.
Nove bairros contemplados
A primeira fase abrangerá os bairros Precabura, Coité, Santa Clara, Amador, Pires Façanha, Guaribas, Centro, Santo Antônio e Jabuti. A população prevista para essa etapa corresponde a aproximadamente 39,8% dos moradores do município, conforme o planejamento apresentado.
Mais de 800 pontos foram mapeados para receber os recipientes com ovos dos chamados Wolbitos, mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia. Antes dessa etapa, o município realizou capacitação de profissionais, orientação à população, definição dos pontos e instalação de armadilhas para monitorar a presença e a quantidade do mosquito.
Localizado na Rua Guaramirim, anexo ao Posto de Saúde Lagoinha, o Núcleo do Projeto Wolbachia dará suporte ao recebimento e à organização das cápsulas com ovos, às equipes de campo, à comunicação com os moradores e ao acompanhamento dos indicadores entomológicos.
Como funciona o Método Wolbachia
A Wolbachia é uma bactéria encontrada naturalmente em diversas espécies de insetos. Quando presente no Aedes aegypti, dificulta o desenvolvimento dos vírus da dengue, Zika e chikungunya, reduzindo a capacidade do mosquito de transmiti-los.
O método consiste na liberação controlada dos ovos dos mosquitos com Wolbachia nas áreas definidas pelo projeto. Ao se reproduzirem, as fêmeas transmitem a bactéria às gerações seguintes, favorecendo seu estabelecimento na população local de mosquitos ao longo do tempo.
Os Wolbitos não são transgênicos. A estratégia não envolve modificação genética dos mosquitos e não utiliza inseticidas como mecanismo de atuação. As atividades serão acompanhadas por monitoramento técnico e epidemiológico para avaliar o estabelecimento da Wolbachia e os resultados da implementação.
Seleção de Eusébio e preparação do município
Eusébio integra a relação de municípios selecionados pelo Ministério da Saúde para a implementação do Método Wolbachia em 2026, na 1ª Região de Saúde de Fortaleza. A seleção considera critérios como porte populacional, histórico de transmissão de arboviroses e prioridade epidemiológica regional, além das condições operacionais e de infraestrutura necessárias à execução.
A preparação municipal começou em abril de 2026, com o aceite do projeto pela gestão. Nos meses seguintes, foram organizados o grupo de trabalho e o planejamento operacional, adquiridas ovitrampas e realizadas adequações na estrutura física. Também foram preparados equipamentos, veículo e ações de comunicação.
O cronograma apresentado prevê para outubro o recebimento das cápsulas com ovos e o início das liberações, conforme a programação operacional. O monitoramento será contínuo, com avaliação prevista também para 2027.
As ovitrampas são utilizadas para coletar ovos e acompanhar a presença do Aedes aegypti. Essas informações apoiam o planejamento das equipes e o acompanhamento da estratégia no território.
A série histórica da Vigilância Epidemiológica de Eusébio registra a ocorrência de arboviroses entre 2021 e 2026. No levantamento utilizado na apresentação, os dados parciais de 2026 contabilizavam 30 casos confirmados de dengue e um de chikungunya, sem confirmação de Zika. O cenário reforça a importância da vigilância contínua e das medidas complementares de prevenção.
Participação da população
A comunicação com os moradores acompanha a implementação. O projeto prevê atividades educativas em escolas, orientação nas unidades básicas de saúde (UBS), rodas de conversa e ações em associações e espaços públicos, além da divulgação pelas redes sociais, pelo rádio, pela televisão local e por materiais impressos.
Para o secretário de Secretaria de Saúde de Eusébio, Zózimo Medeiros, o envolvimento das comunidades é fundamental. “A Secretaria Municipal de Saúde de Eusébio está mobilizada para garantir que essa implantação aconteça com segurança, transparência e participação social”, afirma.
As ações educativas vão explicar o funcionamento do método, apresentar as etapas do projeto e esclarecer dúvidas sobre as atividades realizadas nos bairros contemplados. Vale ressaltar que o Método Wolbachia é uma medida complementar e não substitui a eliminação de criadouros nem o trabalho dos agentes de combate às endemias. Os moradores devem continuar evitando o acúmulo de água, mantendo reservatórios fechados e cuidando dos recipientes que possam favorecer a reprodução do mosquito.
Com a implementação, Eusébio amplia as ferramentas de prevenção às arboviroses, incorporando a estratégia ao trabalho já realizado pelas equipes de Vigilância em Saúde e pela rede municipal.

