O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, apresentou nesta quarta-feira (21) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma petição em resposta ao desafio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico.
No documento, Flávio afirma aceitar o desafio, mas impõe como condição que o petista também autorize a quebra de sigilos de familiares, incluindo o filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e do ex-chefe de gabinete do presidente, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. O senador também cobra informações sobre despesas da primeira-dama Janja da Silva e gastos do cartão corporativo da Presidência.
A campanha de Flávio Bolsonaro alega que o presidente Lula não utilizava celular próprio e se comunicava por meio do telefone de Marcola. Com esse argumento, a defesa do senador sustenta que a abertura apenas do sigilo telefônico de Lula seria insuficiente e cobra também o acesso aos dados de assessores que mantinham linhas utilizadas pelo presidente.
“Marcola, como se sabe, era quem recebia e fazia as ligações em nome de Lula. Mas há mais. Marcola também era responsável por cuidar da família presidencial e ele, como se sabe, também recebeu bens e valores da lobista Roberta Luchsinger. Qual foi o destino desses valores? Foram empregados para pagar despesas pessoais de Lula e de Janja? A transparência, portanto, impõe também a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Marcola. Transparência sem a publicidade dos dados de quem tinha o telefone e pagava as contas pessoais de Lula é a própria enganação”, cita a petição enviada ao TSE.
A cobrança tem como pano de fundo os R$ 249 mil que, segundo a petição, Marcola recebeu de Roberta Luchsinger, investigada no escândalo de fraudes contra aposentados do INSS. A defesa de Flávio quer apurar se os recursos foram utilizados para custear despesas pessoais de Lula e Janja.
Investigado pela PF, o ex-chefe de gabinete de Lula alega que os R$ 249 mil foram depositados em caráter de um empréstimo pessoal, que já foi pago.
Na petição, Flávio afirma autorizar a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, incluindo os de empresas das quais é sócio ou administrador, e diz não se opor à divulgação de todas as mensagens que trocou com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Em contrapartida, o senador exige que Lula esclareça as relações de seu governo com Vorcaro. Flávio cobra a divulgação dos participantes, do assunto tratado e de todos os registros da reunião entre o presidente e o banqueiro, realizada em 4 de dezembro de 2024, para a qual, segundo a Presidência, não foram produzidas atas.
Também pede registros de entradas de Vorcaro e de seus intermediários nos palácios do Planalto e da Alvorada desde 2023, além de informações sobre encontros do ex-ministro Guido Mantega e de Augusto Lima, ex-presidente do Banco Master, com integrantes do governo. A petição cita ao menos cinco reuniões de Mantega com Marcola em 2024, a última delas na companhia de Vorcaro, no mesmo dia do encontro do banqueiro com Lula.
Flávio também cobra a divulgação integral dos gastos do cartão corporativo da Presidência desde janeiro de 2023, da agenda da primeira-dama anterior a fevereiro de 2025 e de registros de visitas dos filhos de Lula ao Palácio da Alvorada.
O senador pede ao TSE que intime o presidente a responder às condições impostas e afirma que só apresentará os próprios dados depois que Lula entregar a documentação exigida.

