A primeira-dama Janja da Silva afirmou hoje ter sofrido assédio em duas ocasiões enquanto já ocupava a posição, após o presidente Lula (PT) assumir o cargo.
O que aconteceu
• “Está insuportável para nós mulheres. EU, como primeira-dama, não tenho segurança em nenhum lugar que eu estou”, disse Janja. “Eu posso dizer aqui já fui assediada, neste período, duas vezes. Eu, sendo primeira-dama, estando nos lugares que acho que me são seguros e, mesmo assim, fui assediada.”
“Se eu, enquanto primeira-dama, que tenho toda uma equipe em torno, um olhar, câmeras, cuidados, sou assediada, imagina uma mulher no ponto de ônibus 10 horas da noite. A gente não tem segurança em nenhum lugar. “
— Janja no programa Sem Censura
• Durante o debate sobre o tema, na TV Brasil, foi lembrado que a presidente do México passou pela mesma situação à frente das câmeras. Em novembro, um homem foi preso na Cidade do México após tocar e tentar beijar Claudia Sheinbaum a poucos metros do palácio presidencial, em meio a seguranças.
” A primeira-dama falou ainda sobre a denúncia e disse não aceitar cobranças. “A questão é que não tem que ter assédio sobre nenhuma mulher. E a denúncia é uma decisão muito pessoal de cada mulher. eu não admito que nenhum homem diga para mim: você vai denunciar. Não admito. Nenhum homem sabe a dor”, afirmou a primeira-dama, em debate sobre o tema.
• O feminicídio tem crescido no Brasil. O país registrou 6.904 vítimas de casos consumados e tentados de teminicídio em 2025, um aumento de 34% em relação ao ano de 2024. Foram 4.755 tentativas e 2.149 assassinatos —quase seis mulheres mortas por dia no país.
” Janja é uma das principais vozes contra assédio e feminicídio no governo. Pessoas próximas a Lula dizem que o presidente mudou muito e reavaliou diversos comportamentos desde que começou a se relacionar com a primeira-dama, quando ainda era ex-presidente.
• “Eu tenho feito isso [falar sobre feminicídio] no cotidiano com meu marido” , disse a primeira-dama. “A gente ter chegado nesse ponto a que a gente chegou do número de mortes de mulheres no Brasil é o momento de a gente dar uma parada e dar uma chacoalhada para falar o que está acontecendo.”
• As conversas entre o presidente e a primeira-dama foram citadas até pela apresentadora Cissa Guimarães. “Você viu que você fala, ele escuta e ele faz, então você trate de falar mais”, disse, arrancando risadas de Janja. “Ele reflete muito” , respondeu a socióloga.
Não à toa, a pauta se tornou frequente nos discursos de Lula. No mês passado, o governo lançou um pacto contra teminicidio junto a outros Poderes, mas nao apresentou açoes praticas nem orçamento para o enfrentamento.
Em caso de violência, denuncie
Ao presenciar um episódio de agressão contra mulheres, ligue para 190 e denuncie.
Casos de violência doméstica são, na maior parte das vezes, cometidos por parceiros ou ex-companheiros das mulheres, mas a Lei Maria da Penha também pode ser aplicada em agressões cometidas por familiares.
Também é possível realizar denúncias pelo número 180 — Central de Atendimento à Mulher — e do Disque 100, que apura violações aos direitos humanos.

