Ministros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) devem mais ouvir do que falar na reunião ministerial desta terça-feira (26).
Um dos objetivos do chefe do Executivo é cobrar uma “arrumação da casa” antes da movimentação de desincompatibilização eleitoral. Em abril, vários ministros devem deixar o governo para disputar as eleições.
Diferente de outros encontros, o Palácio do Planalto não pediu uma preparação de apresentações de prestação de contas do time ao presidente da República.
Com exceção de ministros palacianos e do titular da Fazenda, Fernando Haddad, outros ministros não devem ter falas durante o encontro.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, também deve falar sobre as reações do governo ao tarifaço aplicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao país.
O chefe da Casa Civil, Rui Costa, preparou uma apresentação com dados do novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e detalhamentos sobre programas como o da reforma de moradias e auxílio gás.
A proposta da reunião é que os ministros se engajem em ideais que mostram que o governo cuida da população e tenham dados na ponta da língua.
O ministro da Secom, Sidônio Palmeira, deve apresentar dados internos de pesquisas sobre a percepção do governo para dar direcionamentos de discurso.
Semestre decisivo
Auxiliares de Lula afirmam que a ideia da reunião desta terça é afinar o time para um semestre que é visto como decisivo e que marcará a contagem regressiva de um ano para as eleições de 2026.
Esta é a segunda reunião ministerial de 2025. Ministros pontuam que o governo, hoje, vive um momento melhor e que Lula deve aproveitar o encontro com todos para reforçar um alinhamento geral para “ganhar o semestre”.
Lula quer engajamento dos ministros na defesa de pautas do governo no Congresso Nacional, como o projeto de lei de regulação das redes que será enviado pelo Planalto e a reforma do Imposto de Renda, que é a prioridade “número um” do governo no momento.
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, deve elencar essas prioridades. Líderes do governo do Congresso Nacional também devem participar do encontro.
Em janeiro, o contexto vivido pelo governo era de reação após a crise do Pix, que inaugurou o ano. Na ocasião, Lula cobrou entregas aos ministros e agendas de divulgação de atos do governo.
O próprio Lula tocou no assunto eleição e disse aos auxiliares que a oposição já tinha começado a campanha para 2026.

