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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), comunicou ao presidente da Corte, Edson Fachin, no domingo (30), o teor da decisão que determinaria a abertura do sigilo dos autos que reúnem conversas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes. A decisão foi formalizada nesta terça-feira (1º).
No despacho, Mendonça determinou o levantamento do sigilo do processo e afirmou que, diante dos novos elementos apresentados pela Polícia Federal (PF), o caso deve seguir para análise do Plenário do Supremo.
Segundo Mendonça, independentemente da manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), o “caminho inevitável” dos autos é o Plenário do STF, que deverá avaliar os elementos de maneira técnica e estritamente jurídica. O ministro também afirmou que a deliberação deve ocorrer de forma pública e transparente, em sessão presencial, em data a ser definida pelo presidente da Corte.
A comunicação prévia a Fachin ocorreu dois dias antes da publicação da decisão, em um momento em que o conteúdo das conversas entre Vorcaro e Moraes ainda estava sob sigilo.
Conversas entre Vorcaro e Moraes
A decisão de Mendonça ocorre após a análise, pela Polícia Federal, de mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes. Entre os diálogos periciados estão pedidos do banqueiro para que o ministro atuasse junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, com o objetivo de conter o avanço das investigações envolvendo o Banco Master.
Em outra conversa, Vorcaro questiona Moraes sobre a possibilidade de deixar o país antes da deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao banco.
No sábado anterior à prisão, o banqueiro pergunta ao ministro: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. No domingo, véspera da operação, Vorcaro volta a questionar: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”.
As respostas de Moraes, no entanto, não puderam ser decifradas pelos peritos da PF porque foram enviadas por meio de mensagens de visualização única.
As conversas daquele fim de semana mostram ainda Vorcaro reagindo a uma resposta do ministro. “Que loucura, bem na semana que estou resolvendo tudo”, afirmou o banqueiro.
Naquele período, Vorcaro estava próximo de anunciar a venda do Banco Master para um consórcio capitaneado pela Fictor Holding e por um fundo de investidores dos Emirados Árabes Unidos.
Na sequência, o banqueiro cita o juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central (BC).
“Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galípolo tá sabendo?”, questionou Vorcaro nas mensagens.
A prisão do ex-banqueiro ocorreu em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando ele tentava embarcar para Dubai em um jato particular.
Procurado, Moraes ainda não se manifestou sobre o conteúdo das conversas.

