Uma das estruturas de referência no atendimento em saúde do Ceará está com a assistência comprometida pela superlotação. Pacientes e funcionários do Hospital Geral de Fortaleza (HGF) denunciam que o equipamento estadual “não dá conta da demanda”, resultando em situações opostas ao conceito de saúde.
Em visita à unidade na sexta-feira (5), a equipe do Diário do Nordeste ouviu usuários e acompanhantes, e constatou um dos cenários descritos por eles: a própria recepção e os corredores da emergênciaestavam repletos de pacientes em macas, incluindo idosos.
Um deles era o avô de Nayana Silva, 35, idoso de 79 anos que foi acometido por uma pneumonia e precisou buscar atendimento médico. “Ele passou a noite toda numa cadeira. À 1h da madrugada, saiu uma pessoa e conseguimos uma poltrona”, relatou a neta.
“Na poltrona, foi pior, os pezinhos dele incharam, porque ele tem problema de circulação. Ele não tá em observação nem nada disso, eu assinei o prontuário de internação: ele tá internado e nessas condições”, lamentou Nayana.
Ela relata que, após a admissão do avô, perguntou para qual leito iria. “O funcionário disse ‘vão ficar aí mesmo’. Fiz amizade e consegui uma maca estreitinha, e ele tá nela, na porta do banheiro”, descreve. Da calçada do hospital, era possível ver a maca do idoso no corredor.

