A Polícia Federal aponta na operação Coffee Break que Carla Ariane Trindade, ex-nora do presidente Lula (PT), atuou para liberar no Ministério da Educação valores para uma empresa suspeita de fraudes em licitações e desvio de dinheiro público.
O que aconteceu
Carla Trindade foi alvo de busca e apreensão da PF hoje e teria atuado para a Life Tecnologia Educacional. A empresa recebeu cerca de R$ 70 milhões em contratos de fornecimento de kits e livros didáticos para prefeituras de São Paulo. Carla foi casada com Marcos Cláudio Lula da Silva, filho de Lula com a ex-primeira-dama Marisa Letícia.
A suspeita investigada pela PF e pela Controladoria-Geral da União é que os contratos eram superfaturados. Já os valores eram desviados e enviados para empresas de fachada, segundo a PF. A informação foi revelada pelo jornal Estado de São Paulo e confirmada pelo UOL.
Ex-sócio de Lulinha também é citado na investigação. Além de Carla, a PF também cita a atuação de Kalil Bittar, ex-sócio de Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, na Gamecorp, investigada na Lava Jato.
Carla e Bittar, segundo a PF, foram contratados pela Life para conseguir contratos e facilidade no governo federal. O dono da empresa, André Mariano, foi preso na operação Coffee Break. “As evidências demonstram que Carla parece ter, ou alega ter, influência em decisões do governo federal, notadamente no FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), bem como nos municípios de Mauá (SP), Diadema (SP), Campinas (SP), entre outros”, diz a PF.
Ex-nora de Lula foi para Brasília pelo menos duas vezes. Segundo a PF, as passagens foram custeadas por André Mariano e que a dinâmica dos agendamentos, muitas vezes corroborados por outros arquivos, demonstra que Carla defende os interesses privados de Mariano junto a órgãos públicos, principalmente na busca por recursos e contratos”, diz trecho da decisão que autorizou a operação.
Juiz cita relatório da PF que aborda suposto pagamento de mesada a Kalil, ex-sócio do filho de Lula, em troca da atuação dele no governo federal. “Em 28/11/2022, já após o 2º turno das eleições presidenciais de 2022 fica claro que Mariano passa a apostar abertamente na maior influência de Kalil em novos ministérios, MEC, estados do PT, dentre outros. É no mesmo período que Mariano passa a pagar uma ‘mesada’ para Kalil, por vezes utilizando a conta bancária da esposa/companheira deste último”, diz trecho da decisão em alusão ao documento da PF.
PF aponta que Kalil Bittar “possui grande importância e participação no sucesso empresarial da Life”. “Atuando em prol dos interesses de André Mariano na prospecção de negócios.”

