A prisão domiciliar concedida ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) entra na reta final e deverá ser reavaliada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ainda neste mês. O benefício, autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes por 90 dias, vence em 25 de junho.
A medida foi concedida em março, após Bolsonaro receber alta do Hospital DF Star, em Brasília, onde esteve internado para tratamento de um quadro de broncopneumonia. Na decisão, Moraes considerou que a recuperação do ex-presidente seria mais adequada em ambiente domiciliar.
Segundo o magistrado, a literatura médica aponta que idosos com o sistema imunológico mais fragilizado podem levar entre 45 e 90 dias para recuperar totalmente força física, capacidade respiratória e disposição após um quadro de pneumonia bilateral.Com o fim do prazo se aproximando, a situação de Bolsonaro deverá passar por uma nova análise do STF.
A realização de perícia médica não está descartada e poderá subsidiar a decisão sobre a manutenção ou não da prisão domiciliar.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Antes da concessão do benefício, ele estava detido em uma sala de Estado-Maior localizada no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.
O espaço destinado ao ex-presidente possui cerca de 65 metros quadrados, com quarto, banheiro privativo, cozinha, área para banho de sol e local para exercícios físicos. As visitas familiares também foram ampliadas para dois dias por semana.Quer receber as últimas notícias de Política pelo WhatsApp? Entre no canal Política do O POVOSaúde preocupa aliadosÀs vésperas da reavaliação da medida, o estado de saúde de Bolsonaro voltou a mobilizar aliados. Nesta quarta-feira, 10, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) cancelou a participação em um evento político em Brasília após o ex-presidente apresentar novas crises de soluço e episódios de indisposição.Segundo Michelle, a equipe médica tem tentado reduzir a dosagem de medicamentos utilizados por Bolsonaro, o que teria provocado oscilações em seu estado clínico.
A ex-primeira-dama também disse esperar que a prisão domiciliar seja mantida após o término do prazo atual.”Espero que Deus toque no coração do ministro e que ele fique em casa, porque ele precisa ser cuidado”, declarou.Relembre o casoBolsonaro foi preso preventivamente em novembro do ano passado após descumprir as condições impostas durante o cumprimento de prisão domiciliar, incluindo violações relacionadas ao monitoramento por tornozeleira eletrônica.Dias depois, Alexandre de Moraes determinou o início da execução da pena de 27 anos e três meses de prisão imposta ao ex-presidente. Em janeiro, o ministro autorizou sua transferência para uma sala de Estado-Maior na Papudinha.
Já em março, após internação hospitalar por broncopneumonia, Moraes concedeu prisão domiciliar temporária por 90 dias, medida que agora será novamente analisada pelo STF.

