O equipamento está no rol dos mais de mil imóveis que o governador Elmano de Freitas (PT) colocou à venda. Prefeito Acilon Gonçalves se compromete reestruturar o Autódromo Virgílio Távora que tem mais de meio século de história.
Prefeito de Eusébio e presidente do Partido Liberal no Ceará, Acilon Gonçalves, criticou o Governo do Estado por dispor à iniciativa privada o Autódromo Internacional Virgílio Távora, localizado no município. Esta é a segunda vez, em cinco anos, que o equipamento de administração estadual é colocado à disposição do mercado imobiliário, motivo pelo qual a Prefeitura de Eusébio cobra “bom senso”.

“Havendo bom senso por parte do Governo do Estado em ceder esse equipamento para a Prefeitura de Eusébio, acreditamos que é possível, sim, realizar uma grande obra de reestruturação do Autódromo”, comentou o prefeito em nota enviada ao O Otimista.
O texto informa ainda que em gestões passadas a Prefeitura de Eusébio solicitou ao Governo do Estado transferência de responsabilidade do equipamento para o governo municipal, mas a solicitação não foi atendida.
“A Prefeitura de Eusébio reitera que tem total interesse em administrar o equipamento, visto que há a necessidade de realizar uma nova reestruturação do Autódromo e, assim, transformá-lo novamente em um grande equipamento modelo do automobilismo cearense”, conclui a nota.
Vereadores
O anúncio da venda do Autódromo novamente gerou movimentações contrárias na Câmara Municipal de Eusébio. Em 2019, primeira vez em que o equipamento foi colocado à disposição da iniciativa privada, a Câmara enviou um requerimento ao prefeito Acilon (PL) e ao então governador do Ceará, Camilo Santana (PT), pedindo a municipalização do Autódromo.
O vereador França (PL), autor do requerimento à época, acompanha de perto o caso envolvendo o Autódromo, por entender que o espaço oferece ao município o “privilégio” da prática do automobilismo, esporte que está na construção da identidade de Eusébio.
Para o parlamentar, que faz oposição à gestão municipal, o prefeito Acilon não se interessa verdadeiramente pela municipalização do equipamento. “Se ele se interessasse, ele já teria se manifestado”, diz, em relação à aquisição do Autódromo.
Na opinião do vereador, ainda é possível que o município faça negociações com o Governo do Estado, embora o atual momento represente maior dificuldade, diante do azedume na relação política entre Acilon e o governador Elmano de Freitas (PT). “Se na época [2019] nós tínhamos todo o apoio do Camilo Santana e nós tínhamos condições de conversar, hoje, com o Elmano, eu acho que não há muito diálogo”, analisa o vereador.
Irineu Mesquita, assessor parlamentar do vereador Rivelino da Mangabeira, acredita que a Prefeitura de Eusébio não tem condição de adquirir o equipamento e por isso defende que a administração deveria permanecer com o Estado. “O município não está dando conta nem mesmo dos equipamentos dele”, critica, acusando má gerência administrativa na Prefeitura de Eusébio, apontado que não é falta de recursos.
A equipe do vereador Rivelino da Mangabeira informa está com reunião agendada com a Secretaria do Esporte e Juventude (Sejuv) do Estado do Ceará, que administra o Autódromo, ocasião em que tratará do caso.
O vereador França segue pelo mesmo caminho e tenta conversa com a Sejuv. “Quero dizer que a Câmara Municipal de Eusébio está pronta, está preparada, para incentivar e fazer o que for necessário para que o autódromo fique, na verdade, para o município de Eusébio”, diz França.
A reportagem também entrou em contato com o presidente da Câmara Municipal de Eusébio, vereador Nildinho, que informou que não iria se posicionar sobre o caso, no momento, porque ainda não “dominou totalmente” as informações, motivo pelo qual se desculpou.
Mil imóveis
O cinquentenário Autódromo Internacional Virgílio Távora é um dentre os mais de mil imóveis públicos ofertados pelo Governo do Ceará à iniciativa privada no início de setembro. Ao todo, o valor contábil dos ativos supera R$ 23 bi, de acordo com a edição 2022 do Balanço Geral do Estado (BGE).
Entidades reivindicam imediata suspensão da comercialização dos imóveis
A Associação Comunitária dos Bairros Ellery e Monte Castelo (ACEM) e a Federação de Bairros e Favelas de Fortaleza (FBFF) formalizaram na terça-feira (12) um requerimento no Palácio da Abolição. No documento, elas solicitam a imediata suspensão da comercialização dos imóveis que pertencem ao Estado para entidades privadas.
O objetivo do pedido é sugerir que os terrenos e edifícios colocados à venda sejam destinados para o Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). Além disso, as organizações solicitam uma reunião com o governador Elmano de Freitas para discutir a questão.
No processo de negociação de 2019, em vigor até pouco tempo, o intuito era que o Governo fosse o responsável por iniciar um leilão, determinando as condições e valores dos imóveis de acordo com seus critérios. Desta vez, o Estado adotou um novo modelo de negócios para venda de imóveis públicos, o que pode facilitar a comercialização do Autódromo, que em 2019 não recebeu um lance mínimo para compra.
Agora, a dinâmica mudou. De acordo com a Companhia de Participação e Gestão de Ativos do Ceará (CearaPar), estatal vinculada à Secretaria da Fazenda (Sefaz) responsável pelo gerenciamento dos bens públicos, é o setor privado que inicia o processo, apresentando uma proposta que pode resultar em um leilão para aquele imóvel.
Além disso, podem ser incluídas outras opções de negócio que o Governo avaliará.
