Eduardo Bolsonaro elevou o tom contra Romeu Zema (Novo) nesta quinta-feira (14) ao usar uma doação de R$ 1 milhão feita por Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, ao Novo de Minas Gerais para rebater as críticas do ex-governador ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A ofensiva ocorre após Zema chamar de “imperdoável” o pedido de dinheiro feito por Flávio ao ex-controlador do Banco Master para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
Henrique Moura Vorcaro entrou no centro da disputa porque, além de aparecer como doador de R$ 1 milhão ao Novo em Minas Gerais nas eleições de 2022, foi preso em uma nova fase da operação da Polícia Federal sobre o escândalo Master.
A reação de Eduardo mirou a principal contradição política explorada por bolsonaristas no caso: enquanto Zema condenou Flávio por cobrar dinheiro de Daniel Vorcaro, o diretório mineiro do Novo recebeu, nas eleições de 2022, uma doação milionária do pai do banqueiro. O registro aparece na prestação de contas eleitoral, cuja base pública está disponível no Portal de Dados Abertos do TSE.
Eduardo Bolsonaro usa doação ao Novo para atacar Zema
Eduardo Bolsonaro afirmou que Zema não ouviu “o outro lado” antes de atacar Flávio e acusou o ex-governador de Minas de usar o episódio para fazer uma acusação “sem fundamentos”. Em publicação no X, o filho de Jair Bolsonaro negou que o caso envolva desvio de dinheiro, Lei Rouanet ou recursos públicos.
A crítica veio em resposta ao vídeo em que Zema classificou como “um tapa na cara dos brasileiros de bem” a cobrança feita por Flávio a Daniel Vorcaro. O ex-governador, que tenta se consolidar como nome da direita para 2026, passou a ser tratado por bolsonaristas como adversário direto no campo conservador.
A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também entrou na ofensiva. Ela publicou o registro da doação de Henrique Moura Vorcaro ao Novo de Minas e acusou Zema de “pisotear” Flávio Bolsonaro antes do desdobramento dos fatos.
“Zema não esperou o desdobramento dos fatos para aproveitar e pisotear na cabeça do Flávio. Até ontem queria ser vice. Agora usou como trampolim e já diz que é ‘imperdoável’”, escreveu Júlia.
Doação do pai de Vorcaro pressiona Romeu Zema
O ponto central da investida bolsonarista é a doação de R$ 1 milhão de Henrique Moura Vorcaro ao Novo em Minas Gerais. Henrique é pai de Daniel Vorcaro, banqueiro que aparece nas conversas com Flávio Bolsonaro sobre o financiamento de “Dark Horse”.
O registro da doação não indica, por si só, ilegalidade. O efeito político, porém, foi imediato. Eduardo Bolsonaro e aliados passaram a usar o dado para acusar Zema de hipocrisia e para pressionar o Novo, partido que tenta ocupar espaço próprio na direita sem romper completamente com o bolsonarismo.
Júlia Zanatta foi além e defendeu que o PL desfaça acordos com o Novo nos estados. “Se eu fosse presidente do PL iria desfazer imediatamente qualquer acordo em qualquer estado com o Novo como resposta. Isso não é aliado”, afirmou a deputada.
Áudios de Flávio Bolsonaro com Vorcaro detonaram a crise
A disputa começou após a revelação de áudios e mensagens em que Flávio Bolsonaro aparece negociando apoio financeiro de Daniel Vorcaro para a produção de “Dark Horse”. Como mostrou a Fórum, a negociação envolvia US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões.
Flávio confirmou que pediu dinheiro a Vorcaro, mas negou irregularidade. O senador afirmou que buscava patrocínio privado para o filme, sem uso de recursos públicos, Lei Rouanet ou vantagem pessoal.
A versão do senador, no entanto, sofreu novo desgaste depois que a produtora de “Dark Horse” negou ter recebido dinheiro de Daniel Vorcaro. A negativa foi publicada pela Revista Fórum.
O caso abriu uma guerra pública na direita. Zema tentou se diferenciar de Flávio Bolsonaro ao condenar a cobrança ao banqueiro. Eduardo Bolsonaro respondeu explorando a doação do pai de Vorcaro ao Novo. O episódio expõe a disputa por espaço no campo conservador e aprofunda o racha entre o bolsonarismo e o partido de Zema.
“Não houve desvio de dinheiro, Lei Rouanet ou recursos públicos. Não seja tão baixo, tão vil, Romeu Zema”, escreveu Eduardo Bolsonaro.

