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Mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF) mostram que o esquema bilionário de fraudes no INSS também era marcado por disputas internas entre seus principais operadores.
Diálogos obtidos no desdobramento da Operação Sem Desconto, deflagrada na manhã desta terça-feira (17/3), mostram o empresário Natjo de Lima Pinheiro, apontado como operador financeiro da organização, reclamando da divisão dos lucros com a deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-CE).

“Estou ficando sem grana. A Gorete quer ficar com 70% da entidade””, escreveu Natjo em uma das mensagens analisadas pela investigação.
O conteúdo indica que havia desacordo entre os integrantes do grupo sobre a partilha dos valores obtidos por meio dos descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas.
As investigações apontam que Natjo atuava como responsável pela engrenagem financeira do esquema, coordenando pagamentos, cobrando planilhas e articulando repasses, inclusive de propinas.
Já Maria Gorete Pereira, segundo a apuração, utilizava sua posição política para viabilizar acordos com o INSS e manter interlocução com autoridades, garantindo o funcionamento das associações envolvidas.
O nome da deputada aparece, inclusive, em uma tabela de distribuição de valores apreendida pela Polícia Federal, com indicação de repasse de R$ 780.433,50.
A investigação aponta que o grupo utilizava dados falsos inseridos em sistemas oficiais para autorizar descontos diretamente nos benefícios de aposentados, muitas vezes sem qualquer consentimento das vítimas.
O esquema pode ter movimentado bilhões de reais em todo o país.
A Operação Indébito, deflagrada nesta terça-feira (17/3), é um desdobramento da investigação revelada pelo Metrópoles.
Ao todo, são cumpridos 19 mandados de busca e apreensão, além de prisões e outras medidas cautelares no Distrito Federal e no Ceará.
Os investigados podem responder por organização criminosa, estelionato previdenciário, lavagem de dinheiro e inserção de dados falsos em sistemas públicos.
