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As vacinas atuais costumam ser desenvolvidas para combater vírus ou variantes específicas. O problema é que esses microrganismos continuam evoluindo, o que pode reduzir a proteção ao longo do tempo. Agora, pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, desenvolveram uma tecnologia que pretende mudar essa lógica.
Em vez de mirar apenas uma cepa, a nova plataforma usa inteligência artificial para criar vacinas capazes de estimular o sistema imunológico contra famílias inteiras de vírus. Segundo os cientistas, a estratégia pode oferecer proteção contra um número maior de variantes e ajudar no enfrentamento de futuras pandemias.
A tecnologia já foi testada em um estudo clínico inicial com uma vacina voltada aos sarbecovírus, grupo que inclui o Sars-CoV e o Sars-CoV-2, responsável pela Covid-19. Os resultados foram publicados no Journal of Infection em 18 de maio.
Os pesquisadores utilizaram inteligência artificial para analisar grandes volumes de informações sobre diferentes vírus da mesma família. A partir dessa análise, o sistema identificou regiões em comum entre eles, especialmente aquelas reconhecidas pelo sistema imunológico.
Em vez de desenvolver uma vacina direcionada a apenas uma variante, a proposta é produzir imunizantes capazes de reconhecer características compartilhadas por diversos vírus relacionados.
Segundo a equipe, isso pode reduzir um dos principais desafios atuais da vacinação, que é a necessidade de atualizar imunizantes sempre que surgem novas variantes.
A primeira aplicação da tecnologia foi uma vacina universal contra os sarbecovírus. O ensaio clínico envolveu 39 voluntários e, de acordo com os pesquisadores, não foram identificados problemas importantes de segurança.
Com esses resultados iniciais, a vacina deverá avançar para estudos maiores, que avaliarão sua eficácia em um número maior de participantes.

