A confirmação de casos de hantavírus ligados ao cruzeiro MV Hondius colocou autoridades de saúde em alerta e gerou preocupação em diversos países. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cinco casos foram associados à embarcação e outro foi registrado fora do navio.

A situação levantou dúvidas sobre a doença conhecida popularmente como “vírus do rato” e o risco de uma possível nova pandemia.
Casos surgiram após viagem pela América do Sul
De acordo com a OMS, os dois primeiros pacientes confirmados passaram por Argentina, Chile e Uruguai antes do embarque no cruzeiro.
Ainda segundo o órgão, os passageiros participaram de atividades de observação de pássaros em áreas onde circula o chamado “vírus dos Andes”, uma variante do hantavírus encontrada na América do Sul.
Até o momento, os demais ocupantes da embarcação não apresentaram sintomas.Mesmo assim, equipes de saúde devem avaliar os passageiros assim que o navio chegar à Espanha.
O que é o hantavírus?

Hantavírus é transmitido principalmente por partículas contaminadas de urina, saliva e fezes de roedores silvestres infectados. Foto: Reprodução/ Redes sociais.
Em entrevista ao portal Bacci Notícias, o médico emergencialista Dr. Yuri Castro Santos explicou que o hantavírus é uma zoonose viral grave transmitida principalmente por roedores silvestres.
“O hantavírus é uma zoonose viral grave causada por vírus da família Bunyaviridae. Nas Américas, a forma mais comum é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, que apresenta altas taxas de letalidade”, afirmou.
Segundo o especialista, a transmissão ocorre principalmente pela inalação de partículas contaminadas presentes em ambientes fechados.
“A principal via de infecção é a inalação de aerossóis quando urina, fezes ou saliva de roedores secos se misturam à poeira e são aspirados pelo ser humano”, explicou.
Como evitar a contaminação?
O médico destaca que não existe vacina amplamente disponível contra a doença e, por isso, a prevenção depende principalmente de cuidados ambientais.
Entre as principais orientações estão:
- Evitar acúmulo de lixo, entulho e alimentos que atraiam roedores;
- Ventilar ambientes fechados antes da limpeza;
- Não varrer locais com poeira acumulada a seco;
- Utilizar água sanitária ou soluções com hipoclorito para higienização.
Quando for limpar locais fechados há muito tempo, o ideal é umedecer o ambiente antes para evitar que partículas contaminadas se espalhem pelo ar”, alertou.
De acordo com Dr. Yuri, ainda não existe um antiviral específico com eficácia comprovada para os casos graves de hantavírus.
Hantavírus pode virar pandemia?
Apesar da preocupação mundial, especialistas afirmam que o risco de o hantavírus se transformar em uma pandemia global é considerado baixo. “Atualmente, a probabilidade de uma pandemia é pequena porque o vírus não possui transmissão sustentada entre humanos”, explicou Dr. Yuri.
Segundo ele, para que isso acontecesse, o hantavírus precisaria sofrer mutações significativas.
“Para virar uma ameaça pandêmica, o vírus teria que desenvolver transmissão eficiente de pessoa para pessoa, principalmente por via respiratória, o que não acontece atualmente”, disse.
OMS descarta cenário semelhante à Covid-19
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, reforçou que o risco global à saúde pública segue baixo.
Já Maria Van Kerkhove, diretora de gestão de epidemias e pandemias da organização, afirmou que o cenário atual não deve ser comparado ao da Covid-19.
Segundo ela, o hantavírus possui características muito diferentes e apresenta transmissão humana limitada. A própria OMS reforça que a principal forma de contágio continua sendo o contato indireto com secreções de roedores infectados.

