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SUAS COMPRAS, MINHAS DÍVIDAS
A prática de “emprestar o nome” para terceiros se tornou o principal motivo de endividamento no Ceará, superando até o desemprego, segundo pesquisa realizada pela Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box.
O levantamento mostra que 25% dos entrevistados apontaram esse hábito como causa das dívidas, à frente do desemprego (19%) e da falta de controle financeiro (14%).
“Emprestar o nome pode parecer um favor, mas é uma decisão financeira de alto risco: se a outra pessoa não paga, a dívida e as consequências recaem sobre quem emprestou”, explica Patricia Camillo, especialista em educação financeira da Serasa.
Ela reforça que é importante avaliar a capacidade de pagamento e combinar responsabilidades antes de assumir qualquer compromisso. “Se o orçamento já está pressionado, vale priorizar as contas essenciais e buscar a negociação formal das dívidas para reorganizar o fluxo e evitar a negativação”.
O estudo também mostra que o aumento das despesas essenciais continua pressionando o orçamento dos cearenses. Uma em cada dez pessoas afirma não conseguir pagar as contas básicas, que chegam a até R$ 750 mensais para 96% dos entrevistados.
O tempo de inadimplência também chama atenção.
Metade das dívidas dos cearenses (50%) já tem mais de um ano de atraso, índice superior à média nacional (46%). Os setores com débitos mais antigos são securitizadoras, telecomunicações e varejo, com dívidas que frequentemente superam dois anos.
Outro dado relevante é que 49% dos endividados são reincidentes, ou seja, já enfrentaram problemas financeiros anteriormente. No total, o Brasil contabiliza 79,1 milhões de pessoas com dívidas em atraso, somando 313 milhões de débitos, o maior volume desde 2020.

