O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi para o hospital na manhã de hoje com calafrios e vômitos. A informação foi divulgada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) e confirmada pela Polícia Militar do Distrito Federal.
O que aconteceu
“Quadro clínico sugestivo a pneumonia, queixando-se de falta de ar”, informaram os Bombeiros, horas após o atendimento. Segundo a corporação, uma equipe de resgate e o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) socorreu Bolsonaro na Papudinha (prédio no Complexo Penitenciário da Papuda).
“Informações preliminares de que acordou com calafrios e vomitou bastante”, escreveu Flávio no X, às 7h49. Minutos depois, o ex-vereador do Rio Carlos Bolsonaro (PL) — que está em Santa Catarina, onde é pré-candidato ao Senado — publicou a mesma informação que o irmão.
Bolsonaro foi encaminhado ao hospital DF Star, na região central de Brasília. O UOL tenta contato com o médico pessoal do ex-presidente, Cláudio Birolini. A PMDF disse que informações adicionais serão divulgadas pela equipe médica.
Batalhão comunicou STF da condução de Bolsonaro ao hospital. O comandante Allenson Nascimento Lopes confirmou que o ex-presidente “apresentou um quadro súbito de mal-estar em sua cela”. Segundo ele, a equipe médica de plantão no presídio foi “imediatamente acionada” e, “após avaliação clínica inicial”, “constatou a necessidade de remoção hospitalar imediata”, o que foi feito com apoio de uma escolta policial.
Advogado de Bolsonaro reiterou pedido por prisão domiciliar: “Sintoma grave”. Paulo Cunha Bueno voltou a pedir a transferência do ex-presidente da Papudinha para casa. “A situação de hoje, que traz um sintoma grave, foi reiteradamente vaticinada inclusive em laudos recentes que instruíram o último pedido de prisão domiciliar, o qual foi sumariamente negado pelo Ministro relator [Alexandre de Moraes]”, escreveu no X.
A ex-primeira dama, Michelle Bolsonaro, publicou oração ao marido no Instagram. “Deus está no controle de todas as coisas. Meu amor vai ficar bem”, escreveu.

Saúde de Bolsonaro e pedido de domiciliar
Última passagem de Bolsonaro pelo hospital foi em 1º de janeiro, para uma cirurgia de hérnia. O ex-presidente sofre com as sequelas da facada que levou no abdômen durante a campanha eleitoral de 2018. Desde então, ele passou por diversas cirurgias.
Além disso, conforme perícia, Bolsonaro é portador de múltiplas doenças crônicas. Dentre elas estão hipertensão, apneia grave do sono, obesidade, aterosclerose e refluxo gastroesofágico. Contudo, laudo médico afirma que o ex-presidente está em bom estado geral de saúde, lúcido e com memória preservada.
Laudo pericial reconheceu problemas de saúde, mas afirmou que o presídio tem estrutura para oferecer o atendimento médico necessário. Apesar de o batalhão não ter ambulatório próprio, conta com médico designado em parceria com a Secretaria de Saúde do DF e com uma Unidade de Saúde Avançada do Samu, com enfermeiro de plantão em 24 horas. O hospital mais próximo fica a cerca de 3 quilômetros do presídio.
Defesa fez uma série de pedidos de prisão domiciliar por causa dos problemas de saúde, mas todos foram negados. Bolsonaro ficou em prisão domiciliar preventiva de agosto a novembro do ano passado, mas foi levado para a sede da PF (Polícia Federal), em Brasília, depois de danificar a tornozeleira eletrônica. Em dezembro, ele foi conduzido para o 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, a Papudinha, também na capital.
O ministro do STF Alexandre de Moraes negou transferência para prisão domiciliar em 2 de março. A decisão do relator foi confirmada pela Primeira Turma do Supremo, pelo placar de 4 a 0 (com votos dos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia).
Ex-presidente recebeu 144 atendimentos médicos em 39 dias. As consultas foram realizadas entre 15 de janeiro e 22 de fevereiro, segundo o relatório da PM.

