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A viagem do senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos passou a ser vista por aliados como uma oportunidade para reorganizar a comunicação da pré-campanha após a crise envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A expectativa é que, durante a passagem por Washington, o parlamentar se reúna com o irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para alinhar o discurso político e evitar novos desgastes.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) – Foto: Reprodução/ Rádio Itatiaia
Flávio embarca nos próximos dias para a capital norte-americana, onde participará, em 6 de julho, de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O encontro discutirá a proposta de aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
Campanha quer unificar discurso
Nos bastidores, aliados afirmam que Eduardo Bolsonaro exerce forte influência sobre a militância bolsonarista e sobre influenciadores ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Embora não faça parte oficialmente da coordenação da campanha, integrantes do grupo avaliam que declarações feitas por ele e por pessoas próximas acabam sendo associadas à candidatura de Flávio.
Segundo interlocutores, a reunião em Washington deverá servir para alinhar estratégias de comunicação e evitar que posicionamentos individuais gerem novos desgastes para a pré-campanha.
Crise com Michelle acendeu alerta
O movimento ganhou força após a crise envolvendo Michelle Bolsonaro. Na avaliação de aliados, o episódio mostrou que manifestações de influenciadores e integrantes do grupo político podem ganhar grande repercussão e afetar diretamente a imagem do senador.
A preocupação aumentou principalmente porque a campanha busca reduzir a resistência entre o eleitorado feminino, considerado estratégico para a disputa presidencial.
Declarações de influenciador geraram desgaste
Entre os episódios que mais preocuparam a equipe está um vídeo publicado pelo influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo. Na gravação, ele afirmou que mulheres “votam muito mal”, especialmente as solteiras, e sugeriu que mulheres casadas costumam acompanhar o voto dos maridos.
A fala repercutiu negativamente até mesmo entre parlamentares e dirigentes do PL. Segundo análises internas compartilhadas com Flávio Bolsonaro, mais de 80% das manifestações nas redes sociais sobre o tema tiveram sentimento negativo.
Aliados afirmam que o episódio reforçou um discurso que a campanha tenta combater e dificultou a aproximação do senador com o público feminino.
Flávio repudiou declaração
Na quarta-feira, durante encontro com parlamentares e lideranças conservadoras em Brasília, Flávio Bolsonaro criticou publicamente as declarações de Paulo Figueiredo e afirmou que o influenciador não integra sua campanha.
O senador disse que se sentiu ofendido pelas declarações e afirmou que, se as pesquisas indicam dificuldade de apoio entre as mulheres, a responsabilidade é da própria campanha, que precisa melhorar a comunicação e apresentar propostas capazes de conquistar esse eleitorado.
Mesmo após o posicionamento, aliados defendem que o encontro com Eduardo Bolsonaro seja utilizado para estabelecer uma estratégia conjunta e evitar novos episódios que possam comprometer a imagem da pré-campanha.

