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A Justiça da Itália julga nesta terça-feira (27) um novo pedido de extradição de Carla Zambelli. No país desde junho de 2025, quando fugiu após uma das condenações determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a ex-deputada ficou presa por meses em Roma e responde em liberdade desde maio, quando a Suprema Corte italiana anulou decisões de instâncias inferiores.
O julgamento da Corte italiana é sobre uma nova solicitação de extradição feita pelo governo federal brasileiro. Em vídeo enviado a jornalistas, um dos advogados da ex-parlamentar, Eduardo Maurício, se disse confiante em mais uma decisão favorável a Zambelli.
“Vai ser negada a extradição, em virtude do sistema prisional brasileiro ser desumano e degradante e não ser possível garantir a saúde e a vida da ex-deputada”, explicou. Ele ainda afirmou que a eventual recusa por parte da Justiça italiana será “a única medida que atenderá ao cumprimento da Lei, Convenções e Tratado internacionais”.
Após fugir do Brasil, a ex-congressista foi inserida na lista vermelha da Interpol. A prisão ocorreu no fim de julho do ano passado, em um apartamento no país europeu. A ex-deputada, que tem cidadania italiana, ficou detida no presídio feminino de Rebibbia, no norte de Roma.
Se extraditada, Zambelli deve cumprir pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.
Condenada duas vezes pelo Supremo
Carla Zambelli foi condenada em dois processos distintos pelo STF. Em ambos, já houve a decretação do chamado trânsito em julgado, quando a decisão é definitiva e não há mais possibilidade de recursos:
- a 10 anos de prisão por falsidade ideológicae invasão do sistema de informática do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O pedido do governo brasileiro ao italiano pela extradição no âmbito desse processo foi negado porque a Justiça da Itália entendeu que o ministro Alexandre de Moraesacumulou funções de “juiz e vítima” na ação. A acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou que a ex-deputada e o hacker Walter Delgatti Neto produziram um mandado de prisão falso contra o magistrado;
- a 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O caso ocorreu na véspera do segundo turno das eleições de 2022, quando Zambelli perseguiu o jornalista Luan Araújo empunhando uma arma de fogo no bairro de Jardins, em São Paulo.

